domingo, 20 de junho de 2010

147) Comentário do Editor da DefesaNet ao artigo de Hans Rühle na Der Spiegel.


O artigo de Hans Rühle publicado originalmente pelo German Council of Foreign Relations, e amplificado pela Der Spiegel e Deutsche Welle, é muito mais que um simples artigo. O articulista Hans Rühle, 72 anos, foi Diretor de Planejamento do Ministério da Defesa da Alemanha(1982 a 1988), no período áureo da escalada militar que levou à Queda do Muro de Berlim.

Assim está firmemente amparado tanto pelo Governo Alemão como pelo Complexo Militar Industrial germânico. A perda do contrato dos submarinos da Marinha do Brasil para o consórcio liderado pelo estaleiro francês DCNS até hoje não foi somatizado pela Alemanha.

Até fins de 2009 um forte lobby administrado pelo estaleiro TKNS e junto a interesses nacionais, com participação da Embaixada Alemã em Brasília, financiou um serviço de assessoria de imprensa voltado a atacar o acordo da MB com o grupo DCNS.

O foco no acordo de submarinos fica claro na versão em inglês do trabalho de Herr Rühle, onde em uma chamada no texto afirma claramente:” The submarine program is clearly a cover for a nuclear bomb program.”

Assim novamente baixa o espírito do Korvettenkapitän Günther Prien, que no dia 19 de outubro de 1939 penetrou com o U-47, na até então inexpugnável base naval inglesa de Scapa Flow,e imaginar-se navegando na Baia da Guanabara e lançar uma salva de torpedos mandando para o fundo da baia o acordo com a França.

Isso pode ser notado na sempre expressa animosidade do Ministro da Defesa Nelson Jobim frente a Alemanha. País que é o 2º maior fornecedor de equipamentos militares ao Brasil nos últimos 10 anos. Excluindo-se o próprio acordo dos submarinos a Alemanha assumiria a primeira posição.

146) O Brasil está desenvolvendo a bomba?

Abaixo, as palavras de Luiz Felipe Lampreia e, creio, sua tradução do artigo de Hans Rühle cujo original em inglês pode ser conferido aqui. O artigo já tem mais de mês, todavia é bom tomar-se conhecimento dele e de tudo aquilo que é veiculado, no exterior, sobre o Brasil e essa matéria tão delicada.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
20 0140 jun 2010.
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Transcrevo abaixo, sem comentários, um inquietante artigo sobre o programa nuclear brasileiro publicado na importante revista alemã Der Spiegel em 7 de maio passado:






Por Hans Rühle [1]





O Brasil assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear, mas especialistas suspeitam que pode estar trabalhando em uma bomba. O país pode legalmente enriquecer urânio para seus submarinos nucleares, mas ninguém sabe o que acontece com o combustível, uma vez que é confinado em bases militares.


Em outubro de 2009, a prestigiosa revista Foreign Policy publicou um artigo intitulado "As Futuras potências nucleares" Segundo o autor, o Cazaquistão, Bangladesh, Birmânia, os Emirados Árabes Unidos e Venezuela são os próximos candidatos - depois do Irã - para a filiação no clube das potências nucleares. Apesar de seus argumentos interessantes, o autor deixou de mencionar o mais importante: o Brasil. 

Atualmente, o Brasil é tido em grande estima pelo resto do mundo. Seu presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se uma estrela no cenário internacional. "Esse aqui é o cara", disse certa vez o presidente Barack Obama, em louvor do seu homólogo brasileiro. Lula, como é conhecido, ainda pode dar-se ao luxo de receber o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinedjá, com todas as honras e aprovar o seu programa nuclear, embora o Irã esteja agora isolado em todo o mundo.

A confiança de Lula da Silva é um indicativo da auto-afirmação do Brasil no status de grande potência - inclusive em termos militares. Isto se reflete no documento Estratégia Nacional de Defesa, que foi publicado no final de 2008. Além do domínio do ciclo completo do combustível nuclear - que já foi alcançado - o documento solicita a construção de submarinos de propulsão nuclear. 

Parece inofensivo, mas não é, porque o termo "submarinos de propulsão nuclear" pode na verdade ser um disfarce para um programa de armas nucleares. O Brasil já teve três programas nucleares militares secretos, entre 1975 e 1990. A abordagem da Marinha provou ser o mais bem sucedido: com centrífugas importadas de alto desempenho para produzir urânio altamente enriquecido de hexafluoreto de urânio, de modo a ser capaz de operar pequenos reactores para submarinos. No momento oportuno, o país poderia ter usado suas recém-adquiridas capacidades nucleares para conduzir uma "explosão nuclear pacífica", baseado no exemplo da Índia. O buraco de 300 metros (984 pés) destinado ao teste já havia sido perfurado na Serra do Cachimbo. De acordo com declarações do ex-presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, em 1990, os militares brasileiros estava à beira da construção de uma bomba. 

Mas nunca chegou a esse ponto. Durante a democratização do Brasil, os programas nucleares secretos foram efetivamente abandonadas. Sob a Constituição do país em 1988, as atividades nucleares eram restritas a "fins pacíficos". O Brasil ratificou o Tratado para a Proscrição das Armas Nucleares na América Latina e no Caribe em 1994 e, em 1998,assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e o Tratado de proscrição de ensaios nucleares.O namoro do Brasil com a bomba aparentemente terminara. 

Na presidência de Lula da Silva, no entanto, este namoro foi reacendido, e os brasileiros estão se tornando cada vez menos reticentes em brincar com a sua própria opção nuclear. Apenas alguns meses depois da posse de Lula em 2003, o país retomou oficialmente o desenvolvimento de um submarino de propulsão nuclear. 

Mesmo durante sua campanha eleitoral, Lula criticou o TNP, chamando-o de injusto e obsoleto. Embora o Brasil não se retire do tratado, as condições de trabalho dos inspectores da Autoridade Internacional de Energia Atômica (AIEA)ficaram mais difíceis. A situação ficou tensa em abril de 2004, quando a agência foi negado o acesso ilimitado a uma instalação de enriquecimento de recém-construída em Resende, perto do Rio de Janeiro. O governo brasileiro também deixou claro que não tinha a intenção de assinar o protocolo adicional ao TNP, que teria exigido a abertura para inspeções não avisadas de instalações nucleares. 

Em meados de Janeiro de 2009, durante uma reunião do Grupo de Fornecedores Nucleares, um grupo de países fornecedores nucleares, que trabalha para o controle das exportações de materiais nucleares, as razões para esta política restritiva tornaram-se claras para os participantes, quando representante do Brasil travou os esforços para tornar mais transparente o programa de submarino nuclear. 

"Aberto a negociação" 

Por que todo esse segredo? O que há a esconder no desenvolvimento de pequenos reatores para submarinos de energia, sistemas que vários países têm tido ao longo de décadas? A resposta é tão simples quanto perturbadora: o Brasil está , provavelmente, também desenvolvendo algo mais nas usinas que tenha declarado como instalações de produção de submarinos: armas nucleares. O vice-presidente José Alencar ofereceu uma razão quando defendeu abertamente a aquisição pelo Brasil de armas nucleares em setembro de 2009. Para um país com 15 mil quilômetros de fronteira e ricas reservas de petróleo no mar , disse Alencar, estas armas não só seriam um importante instrumento de "intimidação", mas também os meios para dar ao Brasil mais sua importância no cenário internacional. Quando ele foi apontado que o Brasil assinou o TNP, Alencar reagiu calmamente, dizendo que era "uma questão que podia ser objeto de negociação." 

Exatamente como o Brasil poderia chegar à construção de armas nucleares? A resposta, infelizmente, é que seria relativamente fácil. Uma condição prévia para a construção de pequenos reatores para os motores de submarinos é que o material nuclear regulamentado pela AIEA seja aprovado. Mas porque o Brasil designou como áreas militares restritas suas instalações de produção para a construção de submarino nuclear, os inspectores da AIEA deixaram de ter acesso. Em outras palavras, uma vez que o urânio enriquecido fornecido legalmente passou pelo portão da fábrica, onde os submarinos nucleares estão sendo construídas, ele pode ser usado para qualquer finalidade, incluindo a produção de armas nucleares. E porque quase todos os submarinos nucleares são operados com urânio altamente enriquecido, o que também acontece com armas, o Brasil pode facilmente justificar a produção de combustível nuclear altamente enriquecido. Mesmo se não há nenhuma prova definitiva das atividades nucleares do Brasil (ainda), eventos passados sugerem que é altamente provável que o Brasil está desenvolvendo armas nucleares. Nem a proibição constitucional, nem o TNP vão impedir que isso aconteça. 

[1] Hans Rühle, 72, foi o diretor de planejamento do Ministério da Defesa alemão 1982-1988.

145) Da Morte de Saramago.

Reproduzo abaixo o postado no Bibliotecário de Babel sob o título Uma Lenda Grega. Ainda que, nos últimos anos, tenha me afastado da visão de mundo que tanto animou o trabalho de Saramago, reconheço o fato de seu gênio não estar circunscrito totalmente a ideologias e de ter sabido captar e expressar muito bem certos aspectos da vida humana. Embora algo natural e não de todo inusitado face a idade avançada que contava, choro sua morte.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
20 0107 jun 2010.
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Das várias dezenas de depoimentos publicados hoje na imprensa portuguesa sobre a morte de José Saramago, parece-me que o melhor foi o da escritora Hélia Correia, no modo como escapa ao inevitável esquematismo (e consequente banalidade) dos elogios fúnebres:

«Diz a lenda o que a história não confirma: que, no tempo em que Sófocles morreu, a Atenas que tanto o venerou e que tão venerada foi por ele se encontrava cercada pelos espartanos. A aldeia natal do dramaturgo encontrava-se então fora de portas, inacessível aos atenienses. O deus do teatro apareceu então nos sonhos de Lisandro, o general das tropas sitiantes. Ordenava que abrissem alas para dar passagem ao cortejo funerário. Lisandro obedeceu sem hesitar. Todos, atenienses e espartanos, se inclinaram com vénia e com lamento, ante o corpo do grande criador. Não consigo fazer elogios fúnebres. Digo “não” ao louvor de circunstância. Palavras e palavras vão cair com um grande barulho neste dia e todas elas ficarão aquém da grandeza deste homem. Que houve entre nós um luminoso afecto é coisa que me diz respeito a mim e sobre a qual não tenho que escrever. Que tenho um pensamento de triunfo é o que eu gostaria de explicar. Porque há aqui triunfo: a plenitude de um cidadão inteiramente dedicado à sua polis e aos seus contemporâneos. E a plenitude de um “poeta”, daquele que faz obra e é por ela tornado glorioso. É o homem na sua existência absoluta. O homem que, sabendo-se mortal e não acreditando num Além, se empenha soberbamente em viver e criar com um fulgor e com uma coragem que os crentes desconhecem ou receiam.

Para além do meu preito pessoal, que não se há-de resumir a depoimento, eu imagino aqui uma cidade que o leva em ombros – e os inimigos a abrirem caminho e a curvarem-se. Se os gregos inventaram esta lenda, é para que a memória a active quando um homem como Saramago nos deixa.»

sexta-feira, 18 de junho de 2010

144) Namorado Folgado, por Adão Iturrusgarai.

Achei esta ótima e tive de postá-la. Abaixo, os comentários de Adão Iturrusgarai.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
18 0216 jun 2010.
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Meu amigo Zé Maria - que vende camisetas minhas, do Laerte, do Caco - é um sujeito muito engraçado. Tem sempre uma tiradinha infame para todas as situações. Esta ele soltou para uma amiga que, segundo ele, não gostou muito da piada e não fala mais com ele. Ah, quem quiser visitar o site das camisetas, clique ACÁ.

143) Vulgo Peçanha, por Adão Iturrusgarai.

Uma breve vista do blog Peçanha Leitão, pareceu-me suficiente para concordar com as palavras de Adão Iturrusgarai reproduzidas abaixo e retiradas de seu blog.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
18 0142 jun 2010.
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Estava navegando na semana passada e encontrei o blog do Marcio Zamboni. Ele tem 21 anos, estuda ciências sociais e usa um pseudônimo bizarro: Tito Peçanha Leitão. Fazia tempo que não via desenhos tão legais, tão bacanas, para não dizer GENIAIS! Ele está expondo, o "Orientação dos Gatos" (cordel ilustrado de um conto do Julio Cortázar), na Casa de Dona Yayá (Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, São Paulo-SP). Ah, o link do blog: clica AQUI.

terça-feira, 15 de junho de 2010

142) De Certa Popularidade, por Millôr Fernandes.

"Essa popularidade que tanto apregoam é apenas o aplauso de quem aceita o muito ruim porque já desesperou do muito pior."

Millôr

141) Industria Competitiva, Desenvolvimento e Exportacoes Agricolas, por Paulo Roberto de Almeida.

O acaso me fez topar com esta postagem intitulada Industria Competitiva, Desenvolvimento e Exportacoes Agricolas postada já há quase quatro anos por Paulo Roberto de Almeida. O assunto é muito interessante e fundamental no tangente às perspectivas de desenvolvimento nacional neste século. Abstenho-me de qualquer comentário, ressalva, ou da manifestação dos pontos que por ventura concorde ou não com o articulista, limitando-me exclusivamente a reproduzir, neste espaço, suas palavras.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
15 1323 jun 2010.


A partir de um editorial do jornal O Estado de São Paulo sobre a diplomacia do governo Lula – “Uma política claramente ineficaz”, 7/07/2006 (também disponível neste blog, no post 572) –, desenvolvo considerações sobre duas frases do emb. Samuel Pinheiro Guimarães, destacadas nessa matéria. As frases, que suscitaram debates em listas de internet, são as seguintes: 

1) “Se a indústria brasileira fosse competitiva o Brasil seria um país desenvolvido.”
2) “Se a população se alimentar bem, o Brasil não deve ser um grande exportador agrícola no futuro.”

Obviamente que frases destacadas de seu contexto podem se prestar a manipulações de diversos tipos, mas acredito que essas frases são reveladoras de uma certa confusão entre meios e finalidades, razão pela qual permito-me comentá-las.

1) “Se a indústria brasileira fosse competitiva o Brasil seria um país desenvolvido.”
O Brasil é um país industrialmente desenvolvido, embora alguns segmentos, por deficiencias de inovação tecnológica ou problemas do chamado custo-Brasil ou ineficiências de escala, não sejam suficientemente competitivos para sustentar concorrência com esses mesmos segmentos de alguns países desenvolvidos ou com seus congêneres asiáticos.
O fato é que industriais americanos temem uma eventual competição com seus homólogos brasileiros no quadro de uma eventual Alca (agora moribunda) em setores como siderurgia, calçados, têxteis e nas chamadas indústrias labour-intensive de modo geral. Nós somos imbatíveis nessas áreas, muito mais modernos do que os americanos, para nada falar do agronegócio, submetido ao protecionismo comercial.
Perderíamos feio, em contrapartida, em máquinas e equipamentos, em química fina, farmacêutica, componentes eletrônicos e nos serviços financeiros e de comunicações de massa, em geral.
Ou seja, não há UMA única situação da indústria, há um quadro desigual que revela DESENVOLVIMENTO e COMPETITIVIDADE em vários segmentos, atrasos em vários outros (por problemas do já alegado custo-Brasil) e insuficiências propriamente industriais e tecnológicas em muitas outras.
É um quadro desigual, portanto, mas isso não é exclusividade brasileira e sim caracteristicas de TODOS, repito, TODOS os países, que possuem vantagens comparativas em alguns setores ou ramos (e intra-ramos) e desvantagens em outros. NUNCA se pode ser competitivo em todos os setores e ramos ao mesmo tempo.
Quanto a ser ou não DESENVOLVIDO, isto é um pouco subjetivo, pois envolve uma série de outras apreciações qualitativas - não apenas ligadas à renda per capita - que seria muito complexo expor aqui. O Brasil certamente é um pais em desenvolvimento se se olha a sua população miseravel, mas é um pais ALTAMENTE DESENVOLVIDO se formos olhar para o seu establishment científico, que rivaliza com os melhores do mundo, mas que não inova tecnologicamente por desvinculação com a indústria e por outros problemas de financiamento à pesquisa aplicada.
Existem países que são desenvolvidos sem necessariamente ter uma indústria competitiva ou com uma competitividade ligada a poucos setores. Dou exemplos: Dinamarca, Austrália, Nova Zelândia, com sua prosperidade baseada essencialmente no agronegócio, como nós aliás, mas nós apenas no agronegócio (antes que passem as hordas do MST...). 
Como interpretar a frase do Embaixador, entao? Pouco clara, pois o Brasil pode e TEM indústrias competitivas e pode ter ainda mais -- como a aeronáutica civil de pequeno porte, ou várias outras ainda -- sem necessariamente ser desenvolvido socialmente. São problemas não excludentes, eu diria.

2) “Se a população se alimentar bem, o Brasil não deve ser um grande exportador agrícola no futuro.”
Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. NADA. Todas as situações são possíveis – isto é: população bem alimentada e grande exportador mundial de alimentos, ou não, e população mal alimentada e grande exportador de alimentos, ou não –, poisque não há nenhum determinismo a priori nesse tipo de situação.
Os homens, como diz a teoria econômica, reagem a estímulos, todo o resto sendo uma mera conseqüência.
Mercados livres são capazes de fazer maravilhas, assim como mercados restritos criam outras situações difíceis, do ponto de vista do produtor economicamente competitivo.
Para o produtor, não existe NENHUMA diferença, repito NENHUMA, entre o mercado interno e o mercado externo, são ambos mercados, ponto. Do ponto de vista da comercialização é que começam os problemas: protecionismo agrícola, subsídios, quotas tarifárias restringem a entrada de nossos produtos agrícolas altamente competitivos nos mercados assim protegidos, restringindo a nossa capacidade de oferta, que seria muito maior se todos os mercados fossem livres. No próprio Brasil, os mercados são realtivamente livres, agora (eles já foram menos livres, no passado, com mecanismos de preços controlados, por exemplo) e por isso nossa oferta interna é abundante - já que não existem, a rigor, barreiras comerciais entre os estados brasileiros.
Com a liberalizacao agricola mundial, se houver, nós seremos NECESSARIAMENTE grandes exportadores agricolas mundiais, isso é quase MATEMÁTICO, a menos de algum desastre interno e uma reversão total nas atuais políticas agricolas (o que o MST, com a ajuda de alguns no governo, se esforça por conseguir, com sua política estúpida da reforma agraria e da agricultura familiar, que não teriam por que ser contra o agronegócio e contra as exportações agricolas, mas que por burrice e estupidez deles, o são, objetivamente).
Agora venho à primeira parte da frase, que NÃO FAZ o menor sentido, pela razao muito simples que se alimentar bem não tem NADA, repito NADA, a ver com a oferta agrícola, e sim com a renda disponivel. 
Um pais como a Suíça, por exemplo, não poderia se alimentar bem apenas com a sua oferta agricola; ela TEM NECESSARIAMENTE de importar alimentos, o que ela faz muito bem e sem problemas, pois há excesso de oferta alimentar no mundo.
Concluindo, a população brasileira poderia se alimentar muito bem -- se todos tivessem renda para tanto -- e ainda assim somos e SEREMOS os grandes exportadores agrícolas mundiais sem qualquer contradição entre uma coisa e outra. NAO HÁ e NÃO PODE HAVER contradição entre os dois termos.
Aliás, aposto com quem quiser que seremos GRANDES EXPORTADORES agrícolas mundiais muito antes que toda a população consiga se alimentar bem, mas os problemas aqui não têm nada a ver com a agricultura, são problemas de distribuição, apenas e simplesmente isso.
Acho que o assunto é rico e se presta a muitas elaborações; eu dei a minha contribuição como acima.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 9 de julho de 2006

domingo, 13 de junho de 2010

140) O incidente envolvendo voluntários em ajuda humanitária e militares israelenses pelo olho do MST.

Não tenho como estimar quando me será possível comentar o texto que segue abaixo.  Ele de fato não representa minha opinião,  assim como outros postados neste espaço. Todavia, meu blog não tem por objetivo expressar exclusivamente aquilo que endosso ou aqueles valores com os quais me identifico. Tenho distanciado-me, há muito, das visões que dão a tônica a este artigo: considero-as demasiado simplistas e apriorísticas. Muda-se o mundo, mas se permanece o discurso...

Vinícius Portella

Porto Alegre,
13 0239 jun 2010.
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Gaza é controlada por céu, terra e mar


12 de junho de 2010

Por Danilo Augusto
Da Radioagência NP

O ataque das Forças Armadas israelenses à frota humanitária que levaria ajuda aos palestinos da Faixa de Gaza evidenciou o não compromisso e interesse de Israel com o processo de paz com os palestinos.

No dia 30 de maio, a chamada "Frota da Liberdade", composta por três navios que levavam 750 ativistas e três outros com 10 mil toneladas de carga para Gaza foi interceptado pela Forças Armadas em águas internacionais. Imagens e relatos de testemunhas mostraram a violência e intolerância dos israelenses, que matou dez pessoas e deixaram feridas muitas outras.

Leia também:
MST conclama solidariedade internacional à Palestina 
Manifestação pede fim do bloqueio a Gaza e condena Israel
O Estado de Israel é a origem do ódio - leia artigo de Breno Altman

Participantes da segunda conferência Haifa – espaço organizado por movimentos sociais palestinos que tem o objetivo de discutir a proposta de um Estado palestino laico, democrático e independente – estavam na região quando o ataque de Israel aconteceu.

É o caso do integrante da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Marcelo Buzetto. Em relato exclusivo à Radioagência NP, Buzetto repudia as ações de Israel e faz um panorama da condição dos palestinos na região.

Radioagência NP: Marcelo, como está a situação na Faixa de Gaza?


Marcelo Buzetto: Gaza é uma região onde vive aproximadamente 1,5 milhões de pessoas. Gaza vive uma situação difícil, pois é controlada militarmente por Israel. O Exército impõe um bloqueio econômico contra Gaza. Os israelenses impedem a chegada de alimentos, remédios, mantimentos, materiais para infra-estrutura e controla Gaza por céu, terra e mar. Sufoca economicamente Gaza, tenta matar de fome os palestinos, impede que os médicos desenvolvam trabalhos por lá. Mas a impressão que tive é que essa postura ofensiva e agressiva de Israel só tem feito aumentar a solidariedade internacional com o povo de Gaza, só tem feito aumentar a unidade entre os palestinos e os povos árabes para enfrentar o inimigo Israel.

RNP: Como os palestinos estão se organizando para suportar este bloqueio?

MB: A violência do Estado de Israel acabou obrigando os palestinos a desenvolvessem uma economia auto-sustentável. Lá existe uma série de pequenas indústrias, comércios, pequena agricultura se desenvolvendo, tanto em Gaza como a Cisjordânia. São atividades para minimizar o sofrimento da população e tentar produzir o máximo de mercadorias dentro do seu território, para depender o menos possível de Israel e de importação de produtos dos países árabes. No caso de Gaza a situação é mais extrema. A dificuldade do ponto de vista social e econômica em Gaza é um grande problema. Esse foi motivo do navio ter ido com toneladas de alimentos para a região.

RNP: Qual é a forma de atuação dos movimentos populares e dos partidos políticos palestinos em relação a estas medidas de Israel?


MB: A organização política mais conhecida na Palestina é a Organização para Libertação da Palestina (OLP). Além disso, têm os partidos da esquerda Palestina que são formados pela Frente Democrática pela Libertação da Palestina, a Frente Popular de Libertação da Palestina e o Partido do Povo Palestino. Tem também o Hamas que governa e que tem mais força política em Gaza. Os palestinos têm organizações de juventude, camponeses, trabalhadores, operários, mulheres, entre outros. Toda sexta-feira em várias cidades da palestina o povo palestino sai em marcha das mesquitas até o muro que foi construído para separar os palestinos, muro que foi construído por Israel. Esse muro tem 500 quilômetros e dez metros de altura. Nessas marchas há sempre confronto com o Exército de Israel. Quando chegam próximos ao muro, os soldados disparam balas. Então essas são as diversas formas de atuação.

RNP: Qual a responsabilidade dos Estados Unidos neste último ataque?


MB – Estados Unidos, França e Inglaterra têm uma responsabilidade muito grande. Eles dão apoio político e econômico para Israel. A posição estadunidense não surpreende. Eles não condenaram o assassinato dos pacifistas que estavam no navio. Eles deram a entender que Israel estaria correto. Então os Estados Unidos, a não condenar Israel, acabam ajudando a legitimar a versão israelense sobre os fatos. O pior inimigo para os Estados Unidos ainda é o Movimento de Resistência da Palestina. Por isso eles apóiam Israel. Eles acham que Israel tem o direito de praticar todos os crimes e os genocídios para conter o Movimento de Resistência da Palestina.

RAN: Em nota o governo brasileiro condenou o ataque israelense, isso foi positivo?


MB: É um governo que condena Israel, mais que firmou um Mercado de Livre Comércio (Mercosul) com Israel. O governo brasileiro trouxe Israel para dentro do Mercosul quando o presidente Lula visitou o país e assinou o acordo. Isto é um absurdo, um equívoco do governo assinar um acordo com um país que não respeita os direitos humanos, não respeita os direitos internacionais humanitários e não respeitas a resoluções da ONU em relação a Palestina. Como o Brasil pode se prestar a este serviço? Tão ruim quanto à posição dos Estados Unidos de não condenar, é o Brasil firmar um acordo econômico. Os movimentos sociais do Brasil são contra a postura do governo brasileiro de tentar aproximar Israel dos países da América do Sul.

sábado, 12 de junho de 2010

139) Entrevista de Ferreira Gullar concedida à Folha de São Paulo (02.06.2010).

Da Folha de São Paulo em 02/06/2010

Prestes a completar 80 anos, Ferreira Gullar prepara livro inédito de poesia

Por Marco Rodrigo Almeida
"Não me sinto com 80 anos. O calendário é que fala isso. Mas não tenho essa idade", diz, sério, o poeta Ferreira Gullar quando o assunto é seu próximo aniversário, em 10 de setembro.
A tranquilidade associada à velhice, realmente, não se aplica a ele, como sabem os leitores de sua coluna na Ilustrada.
Gullar, que lança em setembro um livro inédito de poesia, "Em Alguma Parte Alguma", preserva intacto há mais de 50 anos o espírito crítico que faz dele um dos principais, e mais controversos, pensadores do país.
No domingo, um dia antes de ganhar o Prêmio Camões, o principal da língua portuguesa, ele participou do Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier.
Logo após o debate, recebeu a Folha.
Na entrevista, fala sobre governo Lula, o comunismo, eleições presidenciais, criação poética, drogas e sexo.
Leia a íntegra:
Folha - Por sua história política, muita gente estranha o senhor ser um dos principais críticos do Lula.
Ferreira Gullar - Não é que seja um crítico ferrenho, tento ser objetivo. Eu me preocupo com o futuro do meu país. O Lula é um farsante, não merece confiança. Não entendemos o que ele faz.
Como abraçar o Ahmadinejad [presidente do Irã], de um regime que é uma ditadura teocrática, que realizou uma eleição fraudada. O povo protestou contra o resultado e o Lula disse que aquilo é choro de perdedor, como se fosse uma partida de futebol.
E o povo tá na rua, sendo reprimido, gente morrendo. Por que um presidente brasileiro vai dar apoio a um governo desse? Não entendo o interesse do Lula lá. Por que reatou relações com a Coreia do Norte? A Coreia é um regime atrasado, o povo morre de fome, muito atrasado. O povo com fome e o governo fazendo bombas. Não entendo o Lula. É um governo para enganar as pessoas.
O senhor já declarou admirar o presidente Barack Obama. O que achou quando ele disse que Lula é o "cara"?
Isso foi uma brincadeira. O fato de o Lula ser um operário que chegou aonde chegou desperta a simpatia das pessoas. Mas ele não quis dizer que o Lula é o "cara" do mundo. É uma bobagem, é provincianismo brasileiro ficar dando atenção a isso.
Quero saber é do destino do país. Não quero saber de piada, mas o que vai acontecer com nossa democracia.
Outra grande bobagem é o Marco Aurélio Garcia [assessor da Presidência] querer impedir a exibição de filme americano na TV a cabo. Alguém tem que falar para ele que já estamos em 2010. É muito atraso.
Tuca Vieira/Folhapress

"Não me sinto com 80 anos", diz o poeta Ferreira Gullar
O senhor ainda se considera de esquerda?
Essa coisa de direita e esquerda é bastante discutível. Quem é de esquerda hoje? O Lula é de esquerda? Não me faça rir. Eu nunca tive medo de pensar por mim mesmo. Não fico preso a uma verdade indiscutível.
Outro dia li na internet uns jornalistas falando que quem foi de esquerda e não é mais se vendeu. Parece o fundamentalismo islâmico. A verdade indiscutível, quem ficar contra é traidor.
Arrepende-se de ter sido filiado ao Partido Comunista na década de 1960?
Eu aprendi na minha luta política, no preço que paguei no exílio, a ter uma visão diferente do marxismo que não tenho medo de expressar. O marxismo foi uma atitude correta e digna diante do capitalismo selvagem do século 19. Surgiu como uma alternativa contra aquela coisa inaceitável. Mas a projeção da sociedade futura, com a ditadura do proletariado, é um sonho equivocado.
Na minha experiência, durante a queda de Salvador Allende [(1908-1973) presidente chileno, deposto por um golpe militar], eu vi a extrema esquerda e o Partido Socialista de Allende trabalharem a favor do golpe, pensando que estavam sendo mais de esquerda do que todo mundo. Na verdade, colaboraram com a CIA para derrubar Allende.
O marxismo tem uma visão política generosa, mas equivocada
O senhor, então, também se equivocou?
Eu também cometi muitos erros na época [anos 60]. A fúria fundamentalista só conduz ao erro. Queria me sacrificar pelos interesses do país, mas não basta ter razão para estar certo.
Tem que ter lucidez, resolver com a cabeça e com a inteligência.
Quando me convidaram para participar da luta armada, eu disse a eles: mas nós vamos derrotar sozinhos o Exército, a Marinha e a Aeronáutica?
Tem que ter lucidez. Eu não vou chamar o Mike Tyson para lutar boxe comigo. Eu o chamo para discutir poesia, que aí ele tá ferrado.
E quanto às eleições, quais são suas expectativas?
A Marina Silva é uma excelente pessoa, dá um conteúdo ético para a disputa eleitoral. É preciso alguém com a estatura dela, com a pureza dela num país onde a corrupção impera. Mas a chance de ela ganhar é pouca.
Eu espero que a Dilma não ganhe. Se ganhar, nós corremos o risco de ter 20 anos de PT no governo, o que seria um desastre nacional.
Vai então votar no Serra?
Vou. Pelo que sei, ele fez um ótimo governo em São Paulo. Não conheço nenhuma acusação de que seja corrupto ou safado. Foi excelente ministro da Saúde. Se não votar nele, vou votar em quem?
Como definiria o novo livro?
Todos os meu livros são diferentes. Neste ["Em Alguma Parte Alguma"] predomina uma certa relação entre ordem e desordem. Eu escrevi no limite da ordem, ou seja, no limite da desordem.
A maneira de fazer os poemas foi diferente, mais desordenada.
Comecei a escrever sem saber o que iria acontecer, sem planejar nada, sem preconceber. A poesia foi para mim uma grande aventura.
Ao contrário dos outros livros, em que os poemas já nasciam quase prontos, já que ficava sempre refletindo e elaborando antes de escrever. Já hoje começo sem saber o que vai acontecer.
Tanto que o primeiro poema, que abre o livro, tem o nome "Fica o Não Dito por Dito". Eu tô dizendo que, já que não posso dizer o que quero dizer, faz de conta que eu disse.
E qual é a sensação quando o senhor encontra o verso?
Ah, dá muita felicidade. Os poetas têm mania de dizer que escrever poesia é um sofrimento. Pode ser pra eles, para mim é uma alegria.
"O Poema Sujo", que escrevi no exílio, nasceu de um "transe", um "barato" que durou por cinco meses. Sentia-me impelido a escrever.
No final do "Poema Sujo" está um dos seus mais famosos versos, "a cidade está no homem/quase como a árvore voa/no pássaro que a deixa".
Para você ver como a poesia é uma coisa totalmente sem lógica, certo dia eu acordei lembrando de uma frase que tinha lido do Hegel [filósofo alemão, (1870-1831)] citada por Lênin [líder soviético, (1870-1924)]: "na frase o ramo da árvore estão o universal e o particular". Parei pra pensar: a árvore é o universal, é o todo, e o ramo é parte dela, então é o particular. Essa frase me fez escrever o final do "Poema Sujo".
Eu posso arrancar o ramo da árvore, mas a árvore continua nele. Como São Luís, no Maranhão, está em mim mesmo quando estava em Buenos Aires. Aí entrei no "barato". Quando é que o Hegel imaginou que a frase dele ia fazer um poeta brasileiro terminar um poema escrito em Buenos Aires? (risos)
O senhor fala em "transe", "barato", sensações geralmente associadas às drogas. Já experimentou alguma?
Uma vez, quando tinha 15 anos, um amigo me chamou para fumar uma diamba, que é como chamam a maconha em São Luís. Dei uma tragada e senti um gosto de mato velho. Achei uma porcaria, nunca mais experimentei.
Tem gente que compara o estado de criação com o "transe" da droga
É bobagem dizer que as drogas ajudam na criação. Ela é outro tipo de "transe", que requer lucidez. Sem isso é impossível criar.
Durante a criação, você está, por um lado, livre da lógica rudimentar e, ao mesmo tempo, muito lúcido. Você está altamente emocionado, mas tem uma outra lucidez, que não é a da lógica pura e simples.
A lucidez costuma ser também um remédio contra o sofrimento em muitos de seus poemas, como "A Alegria".
Quando escrevi esse poema estava no máximo do sofrimento, exilado em Buenos Aires. Não sabia o que fazer da minha vida. Comecei a valorizar o sofrimento. Pensei: '"sou um herói do sofrimento, um novo Cristo?".
Mas quando você está numa situação sem saída, resta sempre a poesia. Aí escrevi: "O sofrimento não tem nenhum valor". Não quero saber do sofrimento, quero é felicidade. Não gosto de fazer lamúrias. Detesto o passado.
Uma vez, discuti feio com a Cláudia [Ahimsa, companheira de Gullar há 15 anos]. Fiquei sozinho em casa, cheio de razão e triste pra cacete. Então, pra que querer ter sempre razão? Não quero ter razão, quero é ser feliz.
Como é iniciar um relacionamento depois dos 60 anos?
Não tem muita diferença não, do ponto de vista de relacionamento em si. Você se apaixona e começa um romance. Eu tinha 64 no inicio e ela tinha 30 anos. Relacionamento é interesse um pelo outro. Hoje sou uma pessoa mais tolerante, mais reflexiva, tento compreender melhor o outro. Tento não me achar o dono da verdade. Já me enganei tantas vezes na vida que posso estar enganado de novo.
E como fica a relação sexual durante a fase de maturidade?
[Risos] Eu acho que você se torna mais refinado, menos vulgar. Acho sexo uma coisa maravilhosa, mas não fico pensando muito nisso. Penso mais sobre arte, política. Sexo eu não penso, eu faço.
Mas também não acho que seja o mais importante da vida, que o cara tenha que comer 300 mulheres. Legal é ter afeto, ter carinho.
O senhor falou sobre vulgaridade. Acha que o mundo está mais vulgar?
Acho que sim. A vulgaridade tomou conta das coisas. As pessoas devem achar que é um escândalo o que falo. Devem achar que estou velho e tal.
Mas essa ideia de que ir contra o que é tradicional é bom é uma besteira. Olhe a própria arte contemporânea. Quer ser diferente de tudo, não respeita norma nenhuma. Mas a vida é inventada, cara. Se não houvesse norma a civilização não existiria. É só isso.
Um quadro do Monet, do Picasso, é uma coisa elaborada, um produto que vem de quadros anteriores. O significado está na linguagem, se acabar com a linguagem não tem significado.
Hoje tem gente que pensa que o século 19 era atrasado porque as mulheres se vestiam da cabeça aos pés, não mostravam nenhuma parte do corpo. Hoje a mulher está de fio dental mostrando a bunda na praia. Isso é ser mais avançado do que ser elegante? Hoje é mais avançado mostrar a bunda? Para mim isso é mais primário, mais escroto. Perde todo o mistério da mulher. É muito mais legal, rico, sensual, erótico e poético se comover com o pé da moça.

138) TSE diz que Ficha Limpa vale para eleições deste ano, mas decisão pode ser considerada inconstitucional.

Política - 11/06/2010 - 14h39


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na noite de quinta-feira, por 6 votos a 1, que os candidatos com condenações graves em órgão colegiado não poderão concorrer nas eleições de outubro, o que, na prática, faz com que a lei Ficha Limpa passe a valer nas eleições deste ano. A constitucionalidade da legislação, entretanto, ainda pode ser questionada.
A maioria dos ministros acompanhou o voto do relator Hamilton Carvalhido, que considerou que o período eleitoral começa apenas após o registro de candidaturas, no dia 6 de julho.

O presidente da corte, ministro Ricardo Lewandowski, citou vários casos julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para convencer os demais ministros que, segundo a jurisprudência da Suprema Corte, as mudanças na lei de inelegibilidade não afetam o processo eleitoral, e, portanto, não precisam esperar um ano para serem aplicadas. “Esta lei homenageia um princípios que representa a própria base do princípio republicano, que é a moralidade no âmbito administrativo”, disse Lewandowski.

A vice-procuradora Eleitoral, Sandra Cureau, também pesou a importância da moralidade e da grande mobilização social em prol da aprovação do projeto. “Não há como sustentar que essas normas tenham que ser preteridas para eleições futuras. Seria uma grande decepção para o povo brasileiro se mais uma vez não se conseguisse que os candidatos sejam pessoas idôneas”, afirmou.
Outro argumento usado pelos ministros favoráveis à aplicação da lei é o histórico recente de condenações de candidatos por propaganda extemporânea pelo próprio TSE. “Se os punimos por fazerem propaganda antes do processo eleitoral, é porque o processo eleitoral não começou. Temos que ter o mesmo entendimento em relação a essa lei”, disse a ministra Carmen Lúcia. O mesmo argumento foi utilizado depois pelo ministro Aldir Passarinho Junior.
Apesar de terem votado a favor da aplicação da lei em 2010, os ministros Arnaldo Versiani e Marcelo Ribeiro fizeram várias ressalvas. “O processo eleitoral se inicia com o alistamento dos eleitores e termina depois da prestação de contas. As regras começam um ano antes. Eu acho que o Artigo 16 da Constituição se aplica para qualquer legislação que trate desse assunto”, disse Versiani. Os ministros só votaram favoravelmente à aplicação da lei para não contrariar a jurisprudência do STF.
Voto vencido, o ministro Marco Aurélio disse que o tribunal fica em situação delicada se agir contra o anseio da sociedade. “Quando há consonância entre o que decidimos e o que a sociedade quer, saímos aplaudidos. Senão, somos execrados”, disse o ministro. Para ele, o período de convenções, que começou hoje, já faz parte do processo eleitoral.
A decisão do tribunal, no entanto, não coloca um ponto final sobre a validade da lei, pois a constitucionalidade da norma ainda pode ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF).
O principal argumento dos contrários à Ficha Limpa é que os cidadãos não podem ter seus direitos tolhidos antes de uma sentença final. De acordo com a lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último dia 4, um político se torna inelegível se for condenado por um órgão colegiado de magistrados, mesmo quando couber recurso.
As instituições que têm prerrogativa para levar o assunto ao Supremo, como a Ordem dos Advogados do Brasil e o Ministério Público, já sinalizaram que não pretendem provocar o TSE sobre a Lei da Ficha Limpa. Porém, ainda há chance de o assunto chegar ao STF por meio de um caso concreto. “Se alguém se sentir prejudicado pela lei e levar o assunto ao Supremo, usando a presunção de inocência como argumento de defesa, há chance de o Tribunal derrubar essa determinação”, disse Erick Pereira, especialista em direito eleitoral da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ( PUC-SP).
A jurisprudência do STF indica que a presunção de inocência é, de fato, um argumento forte para os ministros. Em 2008, o Supremo respondeu negativamente à ação ajuizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros que pretendia dar a juízes eleitorais a prerrogativa de barrar a candidatura dos políticos “ficha suja”.
“A presunção da inocência, legitimada pela ideia democrática, tem prevalecido, ao longo de seu virtuoso itinerário histórico, no contexto das sociedades civilizadas, como valor fundamental e exigência básica de respeito à dignidade da pessoa humana”, disse à época o ministro Celso de Mello, relator da ação, em voto acompanhado por mais oito ministros.
O advogado Eduardo Nobre acredita que não se pode remediar a falta de ética na política com a supressão de garantias fundamentais, como a presunção de inocência. “Claro que essa lei passou dessa forma porque a sociedade estava clamando por isso. Foi uma resposta do Legislativo à sociedade, por motivos mais nobres ou menos nobres”, afirmou.
Outros pontos que ainda causam polêmica são a abrangência e a retroatividade da lei. Há dúvidas se a Ficha Limpa se aplica aos já condenados ou aos que ainda serão, e também se penas já aplicadas podem ser alteradas com a nova lei. Uma consulta sobre essas questões foi protocolada pelo deputado federal Ilderlei Cordeiro (PPS-AC), mas ainda não há previsão de ir a plenário.

137) Liberdade e Democracia no Século XXI – Um Desafio de Todos.

O Diretório Central de Estudantes – DCE - UFRGS, em parceria com a Revista Voto, promove:
Liberdade e Democracia no Século XXI – Um Desafio de Todos
DATA: 16 de junho
HORÁRIO: das 13h30min às 21h
LOCAL: Salão de Atos da UFRGS
PROGRAMAÇÃO
13h30min – Credenciamento 
14h – Abertura
14h30min – Palestra de Abertura:
Marcelo Hallake –"Liberdade de Expressão e sua Dimensão Político-Jurídica no fortalecimento da Democracia".
Hallake foi presidente do Comitê Interamericano da Ordem dos Advogados de Nova York, a mais importante do undo. Uma de suas especialidades é liberdade de expressão e sua dimensão político-jurídica, sobretudo no que diz respeito à chamada "First Amendment" (Primeira Emenda) à Constituição dos EUA. 
14h50min – Painel 1- “Democracia e Liberdade de Expressão – Desafio de Todos”
Intermediador: Paulo Uebel – Presidente do Instituto Millenium
Debatedores:
Leonardo Meneghetti – Diretor Geral do Grupo Bandeirantes no Rio Grande do Sul
Paulo Tonet Camargo – Diretor do Comitê de Relações Governamentais da Associação Nacional dos Jornais dos Jornais (ANJ) e Vice-presidente da RBS
Marcos Antônio Bezerra Campos – Advogado
Manuela D’Ávila (PC do B) – Deputada Federal/RS 
16h30min – Intervalo 
16h45min – “Liberdade de Expressão na era das Novas Mídias”
Orador convidado: Marcos Troyjo
Diplomata, economista, sociólogo e cientista político, Troyjo é doutor em Sociologia das Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador-visitante da Columbia University (EUA). 
17h05min – Painel 2 – “Um Olhar Sobre o Estado Democrático de Direito”
Intermediador: Oziris Marins – Jornalista da Rede Bandeirantes/RS
Debatedor 1: Paulo Brossard – Jurista
Debatedor 2: Antonio Cláudio Mariz – Advogado Criminalista
Debatedor 3: Senadora Kátia Abreu (PSDB) – Presidente da CNA
Debatedor 4: André Marenco – Cientista Político, professor da UFRGS
18h45min – Palestra Especial:
Jean-Pierre Langellier – Correspondente do Jornal Le Monde no Brasil
19h05min – Painel 3 – “Ameaças à Liberdade de Imprensa e às Liberdades Individuais
Intermediador: Rodrigo Constantino – Presidente do Instituto Liberal
Debatedor 1: Denis Rosenfield – Filósofo, professor da UFRGS
Debatedor 2: Des. Thompson Flores – Desembargador Federal
Debatedor 3: Stefano Florissi – Economista, professor da UFRGS
Debatedor 4: Rui Falcão – Deputado Estadual de SP 
20h45min – Encerramento

Faça sua inscrição aqui.

136) Duas Virtudes Intelectuais, por Raymond Aron.

"Decerto este curso não se destina a ensinar o que vocês devem pensar; mas desejaria que lhes ensinasse duas virtudes intelectuais: a primeira, o respeito aos fatos e, a segunda, o respeito aos outros."

(Raymond Aron. Em: Dezoito Lições sobre A Sociedade Industrial - Lição I: A Sociologia) 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

135) Diferença entre Ciência e Pseudociência: uma questão de atitude epistêmica.

Falsificação, pessoas e teorias

photo by Felipe Morinvia PhotoRee

As ideias de Popper sobre o que marca a diferença entre ciência e pseudociência parecem-me subtilmente erradas. Acertou ao pensar que a resistência à refutação é uma marca importante dessa diferença. Mas errou ao pensar que essa marca é uma característica das teorias em si, e não da atitude que as pessoas têm perante as teorias. 


Popper pensava que uma teoria pseudocientífica não era refutável. Mas isto é falso. Tome-se a astrologia. Não é difícil retirar dela afirmações falsificáveis, se com falsificável queremos apenas dizer que é logicamente possível fazer uma observação incompatível com a teoria. Por exemplo, podemos observar um deus a descer à Terra e a dizer “A astrologia é falsa”. Isto é uma observação e refuta a astrologia.


Mas é claro que não é este género de coisa que Popper tinha em mente. O que tinha em mente não era a mera possibilidade lógica, mas antes física ou metafísica: observar, por exemplo, que o João foi assassinado no dia em que o horóscopo vaticinava que tudo iria correr bem. Só que isto acontece vezes e vezes sem conta, com qualquer teoria pseudocientífica.

O que torna as teorias pseudocientíficas resistentes à refutação não é exclusivamente as propriedades lógicas dessas teorias, mas antes a atitude epistémica dos seus defensores. É verdade que as teorias pseudocientíficas são tipicamente mais vagas do que as científicas; mas isso é apenas uma questão de grau. O que faz a diferença fundamental não é isso, mas antes a atitude que as pessoas têm perante tais teorias. A razão pela qual as teorias científicas são precisas, apesar de todas terem começado por ser muito imprecisas, é as pessoas que fazem ciência procurarem activamente testá-las. A razão pela qual as teorias pseudocientíficas não são tão precisas é porque ao longo do tempo os seus defensores não procuram testá-las, mas apenas defendê-las. 


Popper viu um aspecto importante da diferença entre ciência e pseudociência. Esse aspecto é a refutabilidade. Mas pensou erradamente que essa é uma característica lógica das próprias teorias. Não é. É apenas uma característica da atitude epistémica das pessoas que fazem ciência, que difere da atitude epistémica das pessoas que fazem pseudociência. (Esta diferença de atitude depois influencia decisivamente a estrutura das instituições: num caso encara-se a refutação como parte integrante do trabalho intelectual; no outro, encara-se a refutação como uma ofensa, um opróbrio.) Quem tem uma atitude epistemicamente proba não se limita a permitir refutações: procura-as activamente e dá-lhes muita atenção. Quem não tem essa atitude, foge o tempo todo das refutações, recorrendo a todos os truques imagináveis — desde pôr em causa a lógica, que não põe em causa quando a lógica é favorável às suas ideias, até pôr em causa todas as instituições científicas, que também não põe em causa quando essas instituições lhes salvam a vida com medicamentos eficientes, etc.

Do meu ponto de vista o que faz a diferença entre ciência e pseudociência não é, primariamente falando, uma qualquer diferença nas propriedades das respectivas teorias, mas antes uma diferença de atitude de quem faz e estuda essas teorias. Claro, essa diferença de atitude acaba por influenciar as teorias -- tornando umas mais precisas e mais facilmente refutáveis, outras mais vagas e mais difíceis de refutar por se rodearem de sofismas e jogos de palavras.

E o que pensa o leitor?

134) Nada contra as aspirações, mas com que meios?

Eu não tenho visões idealizadas do mundo, nem compro visões de mundo mofadas à venda em antiquários. Não me alinho automaticamente à esquerda, ou à direita. Eu sequer gosto dessas distinções e, com o passar do tempo, acho que elas fazem cada vez menos sentido, ao simplificar em demasia uma variedade expressiva e multi-facetada de posições políticas. Cheiram-me até mesmo a um certo maniqueísmo. Eu penso que de nada valham grandes visões quando desancoradas de considerações objetivas quanto à alocação necessária de meios à consecução de determinado objetivo. Assim, nessas questões relativas à dimensão que o Estado deva ter, são critérios o mais objetivos possíveis que balizam minha opinião sobre tal tema. Creio contundentes as considerações do artigo que segue abaixo sobre os gastos excessivos de muitos governos. De maneira geral, questionamentos sobre a viabilidade de determinadas medidas no tangente aos recursos existentes não despertam muito interesse ou comoção. Não vejo problema algum em reivindicar-se aquilo que se tem por direito, senão vejo com desconfiança quando tais reivindicações andam divorciadas das coisas do mundo. Há muita inspiração e pouca transpiração nisso...

Vinícius Portella

Porto Alegre,
10 0134 jun 2010.
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Bem, não estou falando do Brasil, ou pelo menos não diretamente. Mas talvez devesse, como deixa claro este excelente artigo transcrito abaixo.
É tão claro que não necessita maiores elaborações da minha parte.
Paulo Roberto de Almeida [origem]

Dois Profetas Franceses
João Luiz Mauad
O Globo, 9/06/2010

As notícias sobre a crise financeira européia na imprensa mundial têm pelo menos alguma coisa em comum: as imagens das manifestações de rua contrárias a qualquer mudança. Nesse sentido, a atual “tragédia grega” é exemplar. Mostra, em cores vivas, o que pode acontecer quando um país inteiro resolve viver acima de suas possibilidades, sem se importar com a conta. Qualquer ajuste proposto é logo repelido pela população, que se recusa a abrir mão do seu conto de fadas.

Esse é o retrato cruel de um povo colhido pela síndrome do auto-engano. Ninguém admite sequer a possibilidade de perder alguns “direitos”. Aposentados, pensionistas, funcionários públicos, estudantes, todos estão dispostos a lutar, com unhas e dentes, para manter seus privilégios. Não interessa quem vai pagar por isso, no presente ou no futuro. Acreditam que o Estado é uma fonte inesgotável de recursos, bastando aquilo que os demagogos convencionaram chamar de “vontade política”.

O político francês Frédéric Bastiat já previa, ainda na primeira metade do Século XIX, o rumo que a História européia tomaria. Cansado de tanto esgrimir pelo bom senso, diante de um parlamento majoritariamente socialista, ele proclamou, num de seus mais emblemáticos discursos:

Não desejo outra coisa, estejam certos, senão que vocês tenham conseguido descobrir, apesar de nós, um ser benfeitor e inesgotável, que tem pão para todas as bocas, trabalho para todos os braços, capital para todos os empreendimentos, crédito para todos os projetos, bálsamo para todas as feridas, alívio para todos os sofrimentos, conselhos para todas as perplexidades, soluções para todas as dúvidas, verdades para todas as inteligências, distração para todos os aborrecimentos, leite para a infância, vinho para a velhice; que acuda a todas as nossas necessidades, atenda a todos os nossos desejos, satisfaça todas as nossas curiosidades, conserte todos os nossos erros, repare nossas faltas e nos dispense a todos, daqui por diante, de previdência, prudência, julgamento, sagacidade, experiência, ordem, economia, temperança e atividade(...)Esta fonte inesgotável de riquezas e luzes, esse remédio universal, esse tesouro sem fim, esse conselheiro infalível que vocês chamam de Estado.

Sábias palavras! 
Alguns analistas de esquerda creditam os atuais problemas europeus à globalização, à especulação ou à moderna engenharia financeira. Ignoram, convenientemente, que os governos mundo afora, com raríssimas exceções, quase sempre gastam muito mais do que arrecadam. A inadimplência de Estados soberanos não é algo raro. O próprio governo grego esteve inadimplente durante mais da metade do tempo, ao longo dos últimos 180 anos. 
A ideologia do bem-estar social encontra-se tão profundamente enraizada na alma européia que é quase impossível a um político eleger-se sem prometer ainda mais benefícios. Mas as intermináveis benesses têm sufocado o crescimento. A Europa transformou-se num continente estagnado economicamente e decadente socialmente, a começar pelas baixíssimas taxas de natalidade e uma indisfarçável xonofobia. A agonia é lenta, mas implacável.

Alexis de Tocqueville, conterrâneo e contemporâneo de Bastiat, foi talvez quem melhor definiu o que viria a ser a social-democracia do Velho Continente, ainda que não tenha vivido para testemunhá-la. No epílogo de sua monumental obra “A democracia na América”, ele anteviu, nas democracias, a emergência de uma espécie de “escravidão disciplinada, moderada e serena”, que seria aceita e, até mesmo, desejada. “Parece-me que, se o despotismo vier a se estabelecer entre as nações democráticas, teria outras características: seria mais extenso e mais doce, e degradaria os homens sem os atormentar”, diagnosticou. 

Segundo ele, o futuro déspota trataria de “prover segurança, antecipar e satisfazer necessidades, dar gosto aos prazeres, resolver as principais inquietudes e dirigir os negócios” de seus súditos. Este déspota, “depois de ter colhido em suas mãos poderosas cada indivíduo e de o ter moldado a seu gosto, estende seus braços sobre toda a sociedade; cobre a superfície desta com uma rede de normas secundárias, complexas e minuciosas ... Não anula a vontade das pessoas, mas a refreia, a inclina e a dirige; raramente ordena atuar, mas freqüentemente inibe as iniciativas; não destrói nada, mas impede que se criem muitas coisas; não tiraniza, mas obstrui, reprime, debilita, sufoca e embrutece, a ponto de transformar os povos num mero rebanho de animais tímidos e industriosos, de que o governo é o pastor.” 

Qualquer semelhança com um certo país tropical, não é mera coincidência.

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Talvez eu possa agregar um único comentário.
Não creio que os "interlocutores" no debate, e sobretudo os manifestam nas ruas, percebam suas pensões, bolsas, subsídios, salários, garantias, enfim, tudo o que recebem do Estado como "privilégios".
Eles acham, como aqui no Brasil, que se trata de "direitos adquiridos", tão legítimos quanto... os salários dos trabalhadores do setor privado.
Eles provavelmente acham que a sociedade, em seu conjunto, tem o dever de continuar mantendo o mesmo número de prestações sociais, qualquer que seja a origem, motivo e legitimidade desses "direitos" (alguns arrancados espertamente por táticas corporativas) e que se existe algum problema, basta passar a conta para os banqueiros, para os capitalistas, para os "privilegiados", enfim.
O Estado é concebido justamente como a grande máquina redistribuidora de "direitos" aos que, como eles, trabalham e recolhem impostos (enfim, alguns não o fazem, nem um, nem outro, mas essa é outra questão).
A inconsciência (ou a má fé) de certas pessoas é ilimitada...
Paulo Roberto de Almeida