segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

247) Uma classe política cada vez pior: como se explica isso? Por Bolívar Lamounier.

Abaixo, um texto sensato de Bolívar Lamounier. Fico, particularmente, contente em encontrar pessoas como Lamounier. Às vezes, tenho a impressão de que a política, no Brasil, é tratada como se não tivesse de responder a imperativos objetivos; como se a política fosse limitada a uma questão de participação dos diversos grupos sociais na condução da coisa pública. Jamais negaria tal dimensão, porém a simples participação de todos os nacionais nos negócios públicos não é a solução para todos os nossos problemas. A política também deve se ocupar dos estímulos necessários ao desenvolvimento de pessoas aptas a lidarem com os desafios que a vida apresenta: seja dando a liberdade para que as pessoas busquem seus interesses e, assim, se desenvolvam; seja intervindo de maneira mais ativa; seja conforme qualquer outra visão. Nenhuma nação se desenvolve dando as costas para suas necessidades presentes e futuras.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
31 2158 jan 2011.
    
Bolívar Lamounier 
Como não podia deixar de ser, o terrível desastre ocorrido na região serrana do Rio de Janeiro desatou um angustiado debate sobre responsabilidades. De quem, afinal, é a culpa?
Para 9,9 em cada 10 brasileiros, os culpados são São Pedro e os políticos. E não necessariamente nesta ordem.
Eu me incluo entre os 9,9. Penso que tais tragédias poderiam ser evitadas se o gerenciamento urbano fosse feito com mais seriedade e responsabilidade. As tragédias têm sido mais freqüentes no Rio e em São Paulo, mas desleixo e coisa pior vêm ocorrendo por todos os cantos. Os políticos têm muita culpa no cartório, sem dúvida.
Mas não só os políticos. Quase todos os envolvidos nessa ocupação temerária de espaços e na autorização de construções extremamente vulneráveis. E não nos esqueçamos que tais processos seguem certos círculos viciosos bem conhecidos no universo das famílias de menor renda. A pobreza leva o pobre a querer construir em qualquer lugar; os desastres o colhem em cheio, porque ele construiu onde não devia. Mas quem autorizou ou permitiu a construção? Uma prefeitura, evidentemente.
Seja como for, a responsabilidade maior é dos políticos eletivos (prefeitos, vereadores, deputados ligados à região etc) e de muitos não-eletivos, pseudo-funcionários que na verdade cumprem agendas políticas, com o agravante de serem menos percebidos e inimputáveis).
A responsabilidade, como dizia, é dos políticos eletivos porque eles é que detêm o mandato popular para o exercício do poder público. São eles que chancelam formalmente os atos, influenciam ou decidem a alocação dos recursos públicos e, no limite, determinam o emprego da força policial.
Isto posto, e sem embargo de ressalvas que farei adiante, o fato é que o Brasil está muito mal servido de políticos. Muito mal servido em todos os níveis – do federal ao municipal, da elite ao sub-do-sub. E provavelmente em todas as áreas, não só na do gerenciamento dos espaços urbanos.
Despreparo, incompetência, irresponsabilidade, descaso pelo interesse público, clientelismo, nepotismo, corrupção, roubalheira – you name it. 
As próprias campanhas eleitorais – aqui não falo só do Brasil – são atualmente planejadas e conduzidas por marqueteiros que em geral as transformam num grotesco besteirol – em grande parte custeado, acrescente-se, com recursos públicos, em graus variáveis de legalidade. Dado esse quadro, não é difícil compreender certas reações dos eleitores; reações ora de desinteresse, apatia ou desencanto, ora de protesto, não raro irracional e violento.
Sim, no mundo todo, há fortes indícios de que a demografia política está paulatinamente se desequilibrando a favor dos bandidos e contra os mocinhos. Nenhum povo está satisfeito. Os legislativos e partidos, principalmente, estão na lona. Líderes promissores aparecem e caem em desgraça com extraordinária rapidez, e outros não tão promissores ou francamente abomináveis excedem por ampla margem o seu prazo de validade.
Numa discussão mais longa, precisaríamos indagar que alternativas têm sido discutidas, se elas são viáveis – o que fazer, enfim. Hoje com certeza eu não vou chegar lá, outro dia, quem sabe.
No momento, a questão que desejo suscitar é por que está ocorrendo essa deterioração da classe política, diria até esse esvaziamento da política como atividade. Que aconteceu? Parece-me fora de dúvida que tal processo, pelo menos no caso brasileiro, não resulta de uma causa isolada e sim de um feixe de causas diversas.
Começa que perdemos muitos líderes importantes num curto espaço de tempo. Refiro-me a políticos de alto calibre intelectual e moral como Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Mário Covas, Teotônio Vilela, Franco Montoro, Roberto Campos e outros. Neste nível, estamos numa entressafra, mas temo que o quadro mais amplo seja de um real esvaziamento.
Por que não se estimula a entrada de sangue novo na política? Por que a renovação não ‘renova’, sabendo-se que uma parcela substancial da representação legislativa não consegue se reeleger? Por que não surgem outros tipos, novos perfis? Numa resposta sucinta, direi apenas que existem realmente dois gargalos – um institucional (estipulações da legislação eleitoral, partidária etc) e de poder (hierarquias internas dos partidos), outro de motivação: poucas pessoas de alta competência e qualidade moral se dispõem a enfrentar o dia-a-dia da carreira política. 
Como vêem, o quadro completo precisa ser montado aos poucos, passo a passo. Com o que expus acima, já me atrevo a afirmar que o problema da classe política brasileira não é só sua má qualidade no momento, em termos estáticos. É pior que isso: um processo de empobrecimento ou esvaziamento que talvez nem tenha chegado ainda ao fundo do poço. Vou tentar ser mais claro.
Minha hipótese é que de duas ou três décadas para cá, os políticos por “vocação” rarearam. Seu espaço vem sendo ocupado por aqueles de quem Max Weber, com mal-disfarçado desprezo, dizia que vivem “da” política, não “para” ela. Ocupado, de um lado, por clientelistas, picaretas e ladrões, de outro, por certo bovarismo enragé: reformistas ou revolucionários de vários tipos e procedências, muitos em gozo de férias e não poucas viúvas do  socialismo. 
Viver para a política é dedicar-se a ela como a uma vocação; é vivê-la como uma atividade auto-suficiente, gratificante, um ideal a ser buscado for its own sake. Viver da política é vê-la como uma opção profissional entre outras e valer-se dela como fonte de renda, de reforço ou complemento a atividades privadas, como palco para exibicionismo, ou então, no caso dos ideológicos, como um setor a ser ganho por seu valor tático, em termos de recursos e chances de proselitismo. 
Meu ponto principal refere-se portanto a uma mudança profunda que parece estar em curso na composição ou no perfil da classe política : um aumento da proporção que vive da política e a conseqüente diminuição da que vive para a política. No Brasil, este fato parece-me perceptível com especial clareza, mas há sinais dele em outros países. Em graus e com conseqüências variáveis, parece-me existir em quase toda a região uma debilitação do centro, um recrudescimento do populismo, um aumento mais que proporcional da influência de operadores e clientelistas, e o surgimento de um ator novo – um esquerdismo meio bovarista, meio carbonário.
No caso brasileiro, é preciso lembrar também – como reforço à hipótese da deterioração -, a centralização do poder e do dinheiro na na órbita federal. Sendo o Brasil um país continental e de organização federativa, a dependência financeira de estados e municípios em relação a Brasília tem um peso enorme em todo o processo político. A verdade é que numerosos políticos são vistos (e se vêem) tão-somente como despachantes dos municípios ou setores sociais que representam. Vão a Brasília fazer lobby, só isso.
Existe, portanto, um círculo vicioso. A deterioração do Legislativo e dos partidos agrava a má reputação dos políticos, esta afugenta  potenciais candidatos de boa qualidade etc. Ou seja, a deterioração leva a mais deterioração, na medida em que desestimula possíveis talentos.
Com o descrédito popular da instituição legislativa e dos partidos, é razoável supor que a carreira política se torna cada vez menos atraente para eventuais interessados em viver para ela, e cada vez mais para os que esperam viver dela. O recrutamento de novas gerações para cargos eletivos torna-se cada vez pior.
Opera-se desta forma uma seleção natural invertida, perversa, e o circuito se fecha. Se esta hipótese for correta, podemos dizer que uma parte importante da “verdadeira” política vem se ‘desgrudando’ dos cargos políticos eletivos que historicamente a ancoravam e migrando, ou para a burocracia – onde se torna quase invisível e totalmente unaccountable – ou para o setor privado, onde reencarna em diversas atividades profissionais.
Observe-se, porém, que política não é só o que acontece em Brasília, no Congresso Nacional ou nos partidos. A política está por toda parte: nas profissões, na imprensa, nas universidades, dentro de empresas, e até no clero. Para o bem, mais que para o mal, há lideranças com vocação pública emergindo em todos esses setores. Isso é muito bom.
Mas esta constatação não nos trará grande consolo, se nada for feito conscientemente no sentido de reverter a deterioração da política institucional. Sem um real esforço desse tipo, esse processo mais amplo e positivo que vejo ocorrendo em vários setores da sociedade tardará muito a se fazer sentir na carreira política eletiva.

domingo, 23 de janeiro de 2011

246) Adeus, pequeno Márcio.


Há 13 anos, morria um primo e hoje morreu seu filho. O menino nasceu após a morte do pai e recebeu o nome pelo qual este gostava de ser chamado: Márcio. Eu não imaginava que hoje em dia ainda se morria de tétano, mas mais uma vez veio a vida com suas agruras a tirar-me a inocência. Eu não era próximo ao guri, porém vou dormir triste. O dia estava tão bom e, infelizmente, foi terminar com uma notícia tão trágica como essa. Eu não sei o que dizer, apenas gostaria que cuidássemos melhor de nossas crianças e; fôssemos, assim, poupados de ver nossos pequenos serem levados por aquilo que poderia ser evitado sem grande dificuldade. Vai em paz, pequeno Márcio; resta-nos agora cuidar dos que ficam.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
23 2313 jan 2011. 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

245) Onde está Sérgio Cabral, digo, Wally?


Não me agradam muito os textos de Reinaldo Azevedo - não acredito que sejam do tipo ilustrado que persigo - mas quanto a Sérgio Cabral, ele está certo. Onde está o Governador do Rio de Janeiro nesta hora calamitosa? Nesta hora, deveria ele chamar a responsabilidade para si e acompanhar de perto o desenrolar dos fatos, pressionando e mobilizando a estrutura pública sob sua responsabilidade para que as devidas medidas fossem tomadas com presteza. Já começa mal seu novo governo, deixando de bem exercer as atribuições do cargo para o qual foi reeleito. Enquanto escrevo, o número de mortes só faz aumentar e já vai a 511 o número de mortos pela chuva na região serrana do Rio de Janeiro. E Sérgio Cabral de camisa listrada (vermelha-branca), de touca sobre o rosto, andando por aí... Onde está Sérgio Cabral? Ache-o se for capaz!

Vinícius Portella

Porto Alegre,
14 1153 jan 2011.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

244) Representatividade afeta diretamente a qualidade da democracia brasileira

Este é um dos melhores programas de entrevistas da televisão brasileira. Habilmente conduzido por William Waack, o Globo News Painel expressa como poucos as questões capitais de nosso tempo. Eventuais limitações não desabonam em nada o excelente trabalho feito por sua equipe.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
11 1758 jan 2011.


Representatividade afeta diretamente a qualidade da democracia brasileira

Filósofos convidados refletem sobre o exercício da democracia pelos representantes eleitos e a atuação dos partidos neste processo.
A troca de governo no Brasil inspira a questão: qual a qualidade da nossa democracia? William Waack recebe três filósofos: Luiz Felipe Pondé, professor da PUC-SP e da Fundação Álvares Penteado (Faap) e colunista do jornal Folha de São Paulo; Roberto Romano, professor de ética e filosofia política da Unicamp; e José Arthur Gianotti, professor emérito da USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).



243) The Wrath of Fools: An Open Letter to the Far Right, by William Rivers Pitt.

Evidentemente, não se pode culpar Sarah Palin pelo funesto evento no Arizona que redundou na morte de várias pessoas e no estado grave de saúde em que se encontra a parlamentar democrata Gabrielle Giffords. No Brasil, Reinaldo Azevedo tratou de acudir a líder do Tea Party, denunciando a "limonada que os democratas [estariam] tentando fazer com o sangue" de sua correligionária. Somente um ingênuo não esperaria que setores do partido se aproveitassem da situação para explorar o fato a seu favor. Todavia, além de intelectualmente pouco refinado, é também algo reprovável o que faz o articulista de Veja em reduzir o problema a uma manobra do Partido Democrata para neutralizar a oposição. É claro que o Tea Party não pode ser responsabilizado totalmente por essa barbaridade, mas a retórica de membros como Sarah Palin contribuem para a "atmosfera de violência" instaurada no país a qual, em tempos de sensacionalismo, fica difícil de dizer se é ou não real e amplamente disseminada. Ademais, também tem de se evitar essas explicações demasiado culturalistas do problema e ir buscar outros nexos que ajudem a melhor construir o mosaico do problema, como os condicionamentos econômicos, institucionais, etc. A incitação à violência não surge do nada e está relacionada a uma série de variáveis que devem ser consideradas nesse debate. Ser responsável intelectualmente é não se deixar levar pela banalidade como 0 estão fazendo os mais extremados e jornalistas como Reinaldo Azevedo.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
11 1621 jan 2011.
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The Wrath of Fools: An Open Letter to the Far Right


by: William Rivers Pitt, t r u t h o u t | Op-Ed

William Rivers Pitt | The Wrath of Fools: An Open Letter to the Far Right
(Image: Jared Rodriguez / t r u t h o u t)
To:       Palin-lovers, Fox "News," the "mainstream" media, and the Far Right, et al.
From: William Rivers Pitt
Date:   Monday 10 January 2011
Re:       The blood on your hands
Dear “Patriots,”
Rep. Gabrielle Giffords isn't much older than I am. She served in the Arizona State House of Representatives, and the Arizona State Senate, before being elected to three successive terms in the U.S. House of Representatives. She once described herself as a "former Republican," and is today considered a "Blue Dog" Democrat, meaning she holds a number of conservative political positions. This is not terribly surprising, given the generally conservative political bent of the state she has served for the last ten years. She was married four years ago to a space shuttle commander who had served as a Naval aviator, and who flew 39 combat missions in Desert Storm, before volunteering for astronaut training.
Last Wednesday, she was sworn in to her third term as the Representative for Arizona's 8th congressional district. One of her first acts in the newly-minted 112th Congress was to read aloud from the House floor, in response to the Republican Party's recitation of the Constitution, the following lines: "Congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof; or abridging the freedom of speech, or of the press; or the right of the people peaceably to assemble, and to petition the Government for a redress of grievances."
She returned to Arizona not long after to assist in the implementation of that most vital of Constitutional principles, calling together a meeting of her constituents in a peaceable assembly so the citizens she represents could petition the government for a redress of grievances. Among the gathered crowd were a number of her staffers, a judge, and a nine-year-old girl named Christina-Taylor Green who was born on September 11, 2001.
And then all Hell broke loose.
A man named Jared Lee Loughner waded into the group and fired a bullet into Rep. Giffords' skull at point-blank range, before turning his weapon on others in the crowd. Christina-Taylor Greene, who would have celebrated her tenth birthday on the tenth anniversary of 9/11, was shot in the chest and killed. The woman who brought her to the event was also shot. Gabriel Zimmerman, who served as Rep. Giffords' director of community outreach, was also killed. He was 30 years old, and was recently engaged to be married. U.S. District Judge John Roll, who had served on the bench for twenty years, was also killed. Dorwin Stoddard, a church volunteer, died after putting his body between his wife and the hail of bullets. His wife was also shot. Two of Rep. Giffords' constituents, Dorothy Morris and Phyllis Scheck, were also killed. All in all, 31 shots were fired before several brave souls tackled Loughner, disarmed him, and wrestled him to the ground.
At the time of this writing, Rep. Giffords is lying in a hospital bed in critical condition. The God you Bible-spewing frauds love to flog the rest of us with must have been in that supermarket crowd with her on Saturday, with His hand on her shoulder, because it is nothing short of a full-fledged miracle she survived at all. Doctors are actually cautiously optimistic that she will survive, though the degree to which she will ultimately recover is still sorely in doubt. She can respond to simple commands, according to her doctors, and is marginally able to communicate. If she survives her wound, it is wretchedly certain her life will never, ever be the same.
I just thought you should know a few things about the people you helped into their graves and hospital beds this weekend.
Yes, you.
You false patriots who bring assault rifles to political rallies, you hack politicians and media personalities who lied through your stinking teeth about "death panels" and "Obama is coming for your guns" and "He isn't a citizen" and "He's a secret Muslim" and "Sharia Law is coming to America," you who spread this bastard gospel and you who swallowed it whole, I am talking to you, because this was your doing just as surely as it was the doing of the deranged damned soul who pulled the trigger.  The poison you injected into our culture is deeply culpable for this carnage.
You who worship Jesus at the top of your lungs (in defiance of Christ's own teachings on the matter of worship, by the way) helped put several churchgoers into their graves and into the hospital. You who shriek about the sanctity of marriage helped cut down a man who was about to be married. You who crow with ceaseless abandon about military service and the nobility of our fighting forces helped to critically wound the wife of a Naval aviator who fought for you in a war. You who hold September 11 as your sword and shield helped put a little girl born on that day into the ground.
You helped. Yes, damn you, you helped.
The "mainstream" media is already working overtime playing up the "Disturbed loner" angle with all their might. There is no doubt, from the available evidence, of Mr. Loughner's transformation into a disturbed individual. But here's the funny part: all the crazy crap he spewed, about the gold standard (a favorite of Glenn Beck, the master of Fox "News" fearmongering...so he can sell his gold scam to suckers) and government mind control and everything else before going on his rampage, is straight out of the Right-Wing Insanity Handbook. His personal YouTube ramblings were a mishmash of right-wing anti-government nonsense...the kind that attracts sick minds like Loughner, the kind that only reinforces their paranoia, the kind that finally pushes them over the brink and into the frenzy of violence that took place on Saturday.  The kind that the likes of you have been happily spreading by the day.  
He did not act alone. You were right there with him. You helped.
I'm talking to you, "mainstream" media people, who created this atmosphere of desperate rage and total paranoia out of whole cloth because of your unstoppable adoration for spectacle, and ratings, and because the companies that own your sorry asses agree with the deranged cretins you helped make so famous and powerful. It was sickeningly amusing on Sunday to watch Wolf Blitzer bluster and bluff on CNN about how the media owns no responsibility for this disaster. It was like watching a ten-year-old try to explain how a lamp got broken while he was running through the living room, but no, it wasn't him. It was, in reality, a pathetic display...but that is what you generally get whenever Wolf is on your screen.
"Mainstream" news personalities like David Gergen and John King bent over backwards warning people not to blame Sarah Palin and her ilk for this calamity.  It was a sick man who did this, they said. Bollocks to that.  I hate to break this to the "mainstream" media know-betters, but words matter.  When people like Palin spray the airwaves with calls to violence and incantations of imminent doom, people like Loughner are listening, and prepared to act. The "mainstream" media lets it fly without any questions or rebuttal, because it's good for ratings, and here we are.Words matter. Play Russian Roulette long enough, and someone inevitably winds up dead.
Remember the run-up to the Iraq invasion, and the subsequent occupation? "WMD everywhere, al Qaeda connections to 9/11, plastic sheeting and duct tape because we're all gonna die!" was the central theme of the majority of your broadcast schedule for years...until it was all proven to be a lie.  You helped the liars, you were the liars, but you knew that.  You also got your spectacle, and the corporations that own you got paid a king's ransom, so everyone was happy, except the dead.  
Tell me this is any different, I dare you.  For the spectacle, the ratings and the pleasure of your owners, you ran names like "Sarah Palin" across the sky in lights, even after she should have faded into well-deserved obscurity, and helped this blister of right-wing rage fester until it finally burst. This was your show, and in perhaps the most wretched irony of all, I would bet all my worldly possessions that your ratings are through the roof right now. You got what you wanted.  I hope you are pleased.
And yes, I'm talking to you, Sarah Palin, you unutterably disgusting fraud. You pulled it off your ridiculous website, but it's out there: you put cross-hairs - literally, cross-hairs - on Rep. Giffords, you blithered about "reloading" instead of "retreating," and you made this country more stupid and violent with every breath you took. Well, congratulations, you failure, you quitter, you inciter of mobs. You put the cross-hairs on her, and someone finally pulled the trigger. Run from it all you like, Lady MacBeth, but this blood will never be washed from your hands.
I'm talking to you, Sharron Angle, you walking punch-line, who talked about "Second Amendment remedies" being necessary if you didn't get your way on health care reform during your failed Senate campaign.
I'm talking to you, Rush Limbaugh, and Sean Hannity, and Bill O'Reilly, and Michael Savage, and Ann Coulter, and Laura Ingraham, and to every other right-wing tripe-spewing blowhard blogger and Fox News broadcaster. I hope you are proud of yourselves, because this is the day you get to reap what you have been relentlessly sowing since you were forced to encompass the unmitigated outrage of a Black man winning the office of President of the United States.
That's right, I said it. Anyone who thinks good old-fashioned American bigotry and racism are not the core motivation for a vast majority of these so-called "revolutionaries" should get their heads examined. You've heard of the "elephant in the middle of the room?" Well, this is the burning cross in the middle of the room, and no amount of spin will douse those flames.
I'm talking to you, Koch Brothers. Your money to create and spread this disease was well-spent; you now have one less Democrat in the House to worry about, at least for the foreseeable future. Congratulations, you un-American sacks of filth. 
And I'm talking to each and every one of you who listened to these traitors and believed the nonsense they spewed at you for no other reason than to pick your pockets for campaign/organization contributions. I'm talking to you who wore your silly fatigues and carried your badly-spelled fact-deprived signs to protests with pistols on your hips and rifles on your shoulders. You who threw bricks through the windows of politicians you disagreed with. You who shot out the windows of Rep. Giffords' office not even a year ago.
You worked very hard to create exactly this atmosphere in America, and now it has come to be. We have entered the age of the Wrath of Fools, and we now must again exist in an America where the word "assassination" has become all too relevant.
You helped this happen. You.
You know it. I know it. Have the guts to admit it, even if only to yourselves.
I know many Republicans and conservatives, and consider them to be dear friends. The single most influential person in my life (aside from my mother) was a rock-ribbed conservative Republican, and there is no person I respected more than him. I do not count these people, and those like them, among those whom I address here. They are as sickened and repulsed by you as I am.
This is not the end of the story, but is just the beginning. The good people of the United States of America, the true patriots, have finally seen you with your media-painted masks ripped off. They have seen what comes to pass when hate, venom, ignorance and violence goes unchecked and unanswered. You have been exposed, and the fact that it took such an unimaginably horrific act for that exposure to take place only increases the fierceness with which you will be answered. You will be repudiated, not with violence, but with the scorn and rejection you so richly deserve.  Spin it as you will, scramble all you like. You are found out, and you have nowhere to hide.
Oh, P.S., if anyone reading this is operating under the delusion that the overheated right-wing rhetoric that went a long way towards almost getting Rep. Giffords killed, and had a strong hand in putting six people in the ground, is some sort of new Obama-era phenomenon, well...
"I tell people don't kill all the liberals. Leave enough so we can have two on every campus - living fossils - so we will never forget what these people stood for."
Rush Limbaugh, Denver Post, 12-29-95
"Get rid of the guy. Impeach him, censure him, assassinate him."
Rep. James Hansen (R-UT), talking about President Clinton
"We're going to keep building the party until we're hunting Democrats with dogs."
Senator Phil Gramm (R-TX), Mother Jones, 08-95
"My only regret with Timothy McVeigh is he did not go to the New York Times building."
Ann Coulter, New York Observer, 08-26-02
"We need to execute people like John Walker in order to physically intimidate liberals, by making them realize that they can be killed, too. Otherwise, they will turn out to be outright traitors."
Ann Coulter, at the Conservative Political Action Conference, 02-26-02
"Chelsea is a Clinton. She bears the taint; and though not prosecutable in law, in custom and nature the taint cannot be ignored. All the great despotisms of the past - I'm not arguing for despotism as a principle, but they sure knew how to deal with potential trouble - recognized that the families of objectionable citizens were a continuing threat. In Stalin's penal code it was a crime to be the wife or child of an 'enemy of the people.' The Nazis used the same principle, which they called Sippenhaft, 'clan liability.' In Imperial China, enemies of the state were punished 'to the ninth degree': that is, everyone in the offender's own generation would be killed and everyone related via four generations up, to the great-great-grandparents, and four generations down, to the great-great-grandchildren, would also be killed."
John Derbyshire, National Review, 02-15-01
"Two things made this country great: White men & Christianity. The degree these two have diminished is in direct proportion to the corruption and fall of the nation. Every problem that has arisen (sic) can be directly traced back to our departure from God's Law and the disenfranchisement of White men."
State Rep. Don Davis (R-NC), emailed to every member of the North Carolina House and Senate, reported by the Fayetteville Observer, 08-22-01
I could go on, and on, and on, and on, but you get the gist.
Most Disrespectfully Yours,
William Rivers Pitt 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

242) O Dogma Antidogma, por Desidério Murcho.

Depois de momentos turbulentos, finalmente volto a'O Arqueiro Prudente. Espero poder, neste ano, dar-lhe maior atenção e orientá-lo de maneira mais incisiva aos temas candentes dos dias correntes. Para começar este novo ano, um texto muito bom de Desidério Murcho, filósofo por quem nutro especial simpatia e respeito por suas ideias. O artigo toca em um assunto de suma importância num momento em que o slogan parece ter tomado lugar ao debate racional de embasamento sólido, ou ainda ter ganhado demasiado espaço. Certo é que os obscurantismos se travestem de diversas maneiras hodiernamente e é conveniente que os espíritos críticos mantenham-se alertas. Agradeço ao meu amigo Márcio Leopoldo Maciel por me dar conhecimento do artigo abaixo reproduzido e aproveito a oportunidade para indicar seu blog que, cirurgicamente, tem prestado um bom serviço ao debate de ideias e à divulgação de fatos e  de boas análises.

Porto Alegre,
06 1327 jan 2011.

Vinícius Portella 

28 de Dezembro de 2010 · Opinião

O dogma antidogma

Desidério Murcho
Universidade Federal de Ouro Preto
Todo o dogma é uma crença, mas nem toda a crença é um dogma. Uma crença é qualquer representação, susceptível de ter valor de verdade, que um agente cognitivo faz das coisas. Todos cremos, por exemplo, que Hitler existiu e que a água nos mata a sede. Toda a fé é uma crença, mas nem toda a crença é uma fé. A fé é uma crença especificamente religiosa, e, como os dogmas, poderá ter outros elementos além dos puramente epistémicos.
Os dogmas têm uma componente epistémica e uma componente psicológica, e caracterizam-se pela relação pouco recomendável existente entre ambas. A componente epistémica do dogma é ser uma crença que a pessoa que a tem é incapaz de justificar adequadamente; a componente psicológica é uma forte adesão, emocional ou pessoal, a essa crença. Uma pessoa é tanto mais dogmática quanto maior discrepância existir entre a força das razões ou justificações de que dispõe a favor de uma dada crença e a força da sua adesão.
Todos temos inúmeras crenças injustificadas ou inadequadamente justificadas, pela simples razão de que nenhum de nós pode analisar cuidadosamente todas as suas crenças. Assim, no que respeita à justificação de crenças, é inevitável uma certa distribuição do trabalho intelectual. Eu creio que a água é H2O, mas a minha justificação a favor desta crença, ainda que adequada, é secundária, no sentido em que se baseia no que os cientistas afirmam. Apesar de eu não dispor de uma justificação epistemicamente primeira para esta crença, não é um dogma para mim porque não tenho em relação a ela um apego desproporcional: se amanhã eu ler uma notícia na Nature declarando que vários cientistas confirmaram que há um erro subtil que os fez pensar que a água era H2O quando na realidade é outra coisa qualquer, não terei dificuldade em abandonar a minha crença anterior.
Outras crenças injustificadas ou inadequadamente justificadas são no entanto acompanhadas de uma forte convicção, em tudo desproporcional relativamente às justificações disponíveis. Entre essas crenças inclui-se alguns casos de crenças políticas, religiosas e relativas a comportamentos sociais. São aqueles casos em que as pessoas insistem tanto mais veementemente nas suas ideias quanto mais frágeis são as razões que conseguem articular a favor delas.
Um dos dogmas contemporâneos mais persistente, incluindo nas zonas mais anémicas da cultura académica, é o que à primeira vista parece um metadogma: um dogma acerca de dogmas. Trata-se do dogma de que devemos combater os dogmas. Não se trata realmente de um metadogma porque alberga uma confusão quanto ao conceito de dogma. Apesar de enganadoramente se falar em combater dogmas, trata-se na realidade de combater ou defender certas ideias feitas, ao mesmo tempo que se rotula de dogmáticas, sem qualquer justificação, as ideias contrárias.
Os exemplos são muitos, mas vou mencionar apenas três.
O primeiro é a ideia de que devemos tudo fazer para ter uma sociedade igualitária — sem que qualquer das pessoas empenhadas em tal coisa faça a mínima ideia de como justificar a opinião de que uma sociedade igualitária é melhor do que uma que não o seja. A bibliografia sobre o tema é desprezada com a atitude típica dos ignorantes: é como se não existisse.
O segundo exemplo é a ideia de que toda a gente é culta, sendo proibido dizer que uma pessoa é inculta se não sabe ler, não faz a mínima ideia do que é o Sol nem que existe um sistema solar, e nem sequer tem noção da dimensão do planeta Terra nem da história da humanidade. Deste singular ponto de vista, toda a gente é culta porque ter cultura é ter costumes: uma manobra semântica mais ou menos equivalente a dizer que toda a gente é rica porque “rico” passou a querer dizer “digno de consideração e respeito.”
O terceiro é o dogma ecológico: a ideia de que “o planeta está doente” (notável expressão), sem que no entanto se faça a mais pálida ideia dos indícios a favor de tal coisa, até porque nem sequer se sabe consultar documentos científicos sobre o estado ecológico do planeta, além de nada se saber da história da humanidade nem do planeta; de modo que não se sabe sequer se o planeta está hoje mais ou menos “doente” do que, digamos, há três mil anos.
Todos estes casos, e muitos outros, são exemplos de dogmas. Não porque as ideias veementemente afirmadas sejam falsas — penso que algumas são verdadeiras — mas apenas porque quem as afirma tão veementemente não dispõe de justificações adequadas para pensar que são verdadeiras. Na verdade, quem as afirma tão veementemente tem como principal objectivo silenciar quem pensa o contrário e portanto impedir a discussão ponderada das razões a favor e contra as suas ideias preferidas. A ideia é que é arriscado levar a sério a hipótese de estarem erradas as ideias feitas que aceitamos sem razões, pois poderemos descobrir que estão mesmo erradas. Deveria ser desnecessário dizer que, no mínimo, esta atitude está longe de ser epistemicamente virtuosa.
Assim, sob a aparência de se estar a combater dogmas, afirma-se ideias a favor das quais as pessoas que as defendem não dispõem de justificações minimamente adequadas — até porque se trata de pessoas cuja mundividência é na sua quase totalidade formada pelo que ouvem dizer na rua e pelo que vêem na televisão. Combater dogmas torna-se assim um dogma: uma atitude impensada e veemente, a favor da qual o combatente não tem qualquer justificação ponderada, articulada e adequada. Mas não é realmente um metadogma porque em muitos casos o que se combate não são dogmas; são apenas ideias de que não se gosta porque se foi cegamente treinado para isso pelos meios de comunicação, por sistemas educativos deficientes e por autores bombásticos mas falhos de raciocínio cuidadoso e articulado.
A palavra portuguesa “dogma” é de origem grega. Originalmente, o termo era próximo dedokein, que significa parecer. Um dogma era apenas algo que parecia verdadeiro. O termo foi usado por alguns filósofos cépticos, porém, para descrever os filósofos que defendiam teorias sobre vários assuntos, ao invés de argumentarem infindavelmente a favor da impossibilidade de se saber seja o que for, como os próprios cépticos faziam. Deste modo, e segundo essa classificação, filósofos perfeitamente antidogmáticos, como Aristóteles, são considerados dogmáticos nessa enganadora terminologia. O uso do termo neste sentido grego ocorria ainda no séc. XVIII em alguns textos de Kant, o que hoje provoca confusão — pois parece que a única maneira de não se ser dogmático é parar de estudar as coisas e ser céptico. Para não fazer confusões é preciso não esquecer que o termo “dogmático,” tal como era usado por Kant ou pelos cépticos gregos, nada tem a ver com o sentido popular actual do termo.
Não sei se esta confusão terminológica está na origem da ilusão de que ser antidogmático é ser do contra. Assim, se uma pessoa vive numa sociedade maioritariamente cristã, ser antidogmático seria, deste ponto de vista, declarar a morte de Deus. Que isto é uma ilusão deveria ser óbvio: pois uma pessoa que acredita em Deus pode não ser dogmática se tiver justificações adequadas para isso e não aderir desproporcionalmente à sua crença; e uma pessoa ateia pode ser dogmática se não tiver justificações adequadas para isso, ao mesmo tempo que adere veementemente ao seu ateísmo, como parece o caso de Nietzsche. Em particular, alguém que nunca estudou detidamente os argumentos contra e a favor da existência de Deus, e que nunca justificou a sua descrença, poderá ser bastante mais dogmático quanto à inexistência de Deus do que Tomás de Aquino era quanto à sua existência — porque este tem vários argumentos bem pensados a favor da existência de Deus.
Na história da humanidade, a origem de muitas das suas desgraças não está apenas na imoralidade elementar e infantil de considerar que os meus interesses, por serem meus, são mais importantes do que os dos outros. É defensável que a ignorância, a falta de ponderação e a pura tolice estão em pé de igualdade como causas das misérias humanas. Assim, fingir que se luta contra os dogmas quando na realidade se cultiva a expressão imediatista de sentires imponderados é duplamente perverso: por um lado, porque toda a atitude falha de ponderação, estudo e argumentação cuidadosa é um passo na direcção da miséria humana; por outro, porque bloqueia a verdadeira luta contra os dogmas, que é precisamente o oposto da afirmação de sonoros sloganspublicitários, tantas vezes disfarçados de aforismos supostamente profundos. A única maneira de real e honestamente lutar contra os dogmas é cultivar a análise cuidadosa de ideias, a argumentação ponderada e a teorização pormenorizada; toda a suposta luta contra os dogmas incompatível com isto é pura mentira.
Uma das características capitais da fé de Abraão — ainda que talvez não de todas as fés — é tratar-se de uma atitude que tem no seu próprio seio mecanismos para impedir a dúvida e portanto a possibilidade de defecção. Em sociedades muito inseguras, em que a mortalidade infantil é altíssima, a fome e a doença são intermitentes e uma pessoa com 45 anos é uma anciã, se tiver a sorte de lá chegar, é algo arriscado não crer num Deus que, segundo os seus prosélitos, castiga quem nele não crê. A aposta de Pascal é neste caso clara: mais vale crer, não vá o diabo — ou Deus — tecê-las. E para crer é preciso crer com muita convicção e sinceridade, caso contrário podemos ser apanhados em falso. Isto tem o efeito real de a simples hipótese de deixar de crer em Deus aterrorizar a pessoa de sociedades muito inseguras — pois as consequências podem ser muito graves. Torna-se um obstáculo epistemológico ao combate ao dogma, pois mesmo que nenhuma boa razão a pessoa tenha para crer que Deus existe, inibe-se obviamente de ponderar cuidadosamente as razões e de adaptar a força das suas convicções aos argumentos disponíveis.
A imagem paralela desta situação é a circunstância epistémica em que ficam muitas pessoas depois de ler filósofos supostamente antidogmáticos. Porque esses filósofos instilam uma desconfiança na “razão” — leia-se: análise cuidadosa de argumentos, teorização paciente e minuciosa e consideração de alternativas — tornam-se obstáculos epistemológicos à luta contra os dogmas. Pois não há outra maneira de lutar contra os dogmas a não ser usando a razão, e é preciso usá-la cuidadosamente, porque somos falíveis e cometemos erros. Frases feitas, aforismos bombásticos e rendilhados frásicos inspiradores não servem senão para impedir a análise cuidadosa de ideias e argumentos. A sedução retórica impede o pensamento crítico com bastante mais eficácia do que o édito papal ou o Santo Ofício.
Lutar contra dogmas não é afirmar as ideias em que já cremos. Lutar contra dogmas é, antes de mais, aprender, e depois ensinar, a pensar rigorosamente, a argumentar com proficiência, a teorizar minuciosamente e com precisão. Tudo isto implica estudo, conhecimento das bibliografias, esforço e honestidade intelectual. Não é, pois, mais fácil nem mais atraente, à primeira vista, do que a imagem do rebelde social que debita slogans sonoros. Mas é muitíssimo mais promissor — e tem a vantagem não negligenciável de não ser uma mentira.