segunda-feira, 11 de outubro de 2010

216) Goethe sobre a Ignorância

Nada é mais terrível do que uma ignorância ativa.
Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)

sábado, 9 de outubro de 2010

215) Urbana Legio Omnia Vincit

Em tempos de bandas coloridas, fico contente em encontrar o sítio da Legião Urbana na rede a preservar a memória daquela que foi uma de nossas maiores bandas de rock no Brasil.  Ingressei na adolescência ao som da Legião; Renato morrera havia dois anos, mas sua banda continuava com uma grande força. Suas músicas tocavam em muito a juventude e posso dizer que suas letras foram um dos componentes de meu despertar crítico. Eu acho totalmente desmedida certa veneração por Renato Russo. No entanto, não se pode colocar o cantor sob crítica por sandices alheias. Renato tinha suas extravagâncias, mas tinha muito claro para si que o rock era atitude; atitude para trabalhar e mudar as coisas para melhor. A começar por si. Hoje vejo esse pessoal por aí cantando essas músicas açucaradas e fico pensando o que houve de errado para chegarmos a este ponto, mas mal me demoro neste pensamento. Em verdade, houve que outras coisas acabaram não dando certo... Ficamos com a futilidade e a superficialidade instituídas.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
19 2213 set 2010. 

214) Divagações sem Rigor da Madrugada.

Infelizmente, vivo num país em que os eletrônicos (computadores, video games, etc) são muito caros. Destarte, namoro-os de longe. O que não é o caso de certo amigo meu que é um verdadeiro "MacViciado". Por sua influência, fiquei muito tentado a comprar algum computador da Apple, mas devido a uma série de fatores, foi-me possível somente comprar um Dell Inspiron 11z. Aqui não ponho o "entre-net-notebook" da Dell como uma pior opção em relação aos computadores da empresa de Steve Jobs; estritamente quer dizer que não pude satisfazer meu intento inicial (adquirir um MacBook, um Ipad, etc). Todavia, minha experiência tem sido muito boa com a Dell. Estou faz algum tempo com minha pequena bugiganga e ela já apresentou alguns pequenos erros, mas o suporte da Dell tem me parecido formidável. Assim, vale todo o dinheiro investido numa traquitana dessas, bem como o pagamento das licenças dos produtos desta empresa. Eu não entendo muito de informática, mas percebo quando um serviço é bem oferecido, visando a sanar qualquer problema que seu cliente possa ter. Aos críticos da "lógica do mercado", duvido que servidores públicos desenvolveriam uma plataforma tão eficiente em sanar os problemas de seus consumidores. Este é mais um exemplo de que o mercado nem as empresas são vilãs e de como perseguindo seus interesses podem ajudar a outras pessoas a perseguirem os seus.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
07 0254 out 2010.

213) Devaneios Noctívagos

Ainda que seja parco meu conhecimento sócio-econômico, penso com segurança poder afirmar que uma nação não prospera sem empreendedores. Pessoas que assumam os riscos necessários à busca do lucro almejado. Não meros aventureiros, rentistas ou outrens subordinados à fortuna ou à sorte dos privilégios, senão aqueles que não se contentam com a passividade e exercem sua vontade sobre o mundo. Mas, no Brasil, tal tipo não se encontra amplamente disseminado; só não se encontra em extinção porque nunca foram partes de nossa fauna e os que cá se encontraram ou encontram estão mais para aves migrantes. E penso que não poderia ser diferente dadas nossas características culturais. Como bem distingue José Murilo de Carvalho, pendemos mais para a estadania do que para a cidadania. Esta, pressupõe uma ordem jurídico-política a instituir o cidadão, conferindo-lhe direitos e deveres, bem como a um pacto, à defesa de interesses, etc; aquela, diz respeito a existência não propriamente de cidadãos, senão de pessoas cuja ação não é pautada por regras impessoais na forma de leis e sim dos favores auferidos de sua proximidade ao Estado. Na estadania vigoram os intitulamentos estreitamente restritos, os privilégios e tudo aquilo característico dos "amigos do rei". Essas pessoas não assumem riscos já que estes tornam-se desnecessários dada segurança do seio estatal. O Poder lhes acena com dádivas, estas dadas àqueles leais ou cuja lealdade convém ser conquistada. Todos são "amigos do rei", mas uns mais amigos do que outros. E poucos são aqueles que possam dizer com ares fidalgos serem "amigos do peito do rei".  É desnecessário dizer quem são aqueles com acesso às melhores oportunidades e qual o critério a determinar-lhe. Voltando ao Brasil, vê-se que Dom Ináfio I cooPTou amplos segmentos da sociedade - v.g., os pobres do Bolsa Família, agricultores, industriais, megaempresários, acadêmicos, etc - por meio dos mais diversos recursos. Nominalmente, houve tentativas de acenar-se até mesmo aos empreendedores com programas de fomento ao empreendedorismo. Mas as medidas realmente necessárias para o surgimento desse tipo como a diminuição da carga tributária, de reforma econômica e institucional que suportassem um ambiente dinâmico e mais eficiente não foram feitas e nem se nos apresentam num horizonte curto de tempo. Face aos enormes desafios e grande soma de recursos a serem investidos para o Brasil alcançar a prosperidade, é impossível depender-se unicamente da vontade régia e dos "amigos do rei", prescindindo-se de um mercado dinâmico e vigoroso.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
09 0440 out 2010.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

212) Malogro

Minhas postagens acabam de ganhar cópia em meu OneNote - maravilha moderna contra aqueles problemas que te põe a perder o trabalho de escrever um texto, deixando-te frustrado ao vê-lo desaparecer em instantes. Tinha escrito um pequeno texto sobre estas eleições, em especial, sobre a cobertura jornalística paupérrima que marca os grandes meios de comunicação aqui no Rio Grande do Sul. Infelizmente, por um problema em meu computador e por imprudência minha não o pude salvar. Penso, no entanto, ter me precavido contra situações como essas ao adotar o OneNote. Ademais, tal medida deve também me ajudar a manter a constância das publicações neste blog, já que muitas vezes por não conseguir abrir a janela para novas postagens acabo deixando O Arqueiro Prudente demasiado ocioso. A partir de agora, preparei, normalmente, o material para publicação e, no caso de uma interrupção no serviço do Blogger, postarei o acumulado assim que me for possível o acesso ao painel de controle deste blog.

Assuntos a serem tratados em seguida: eleições 2010, patrulhas ideológicas, política brasileira, etc.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
06 1724 out 2010. 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

211) Retomada.

Sanado, aparentemente, o problema que me impedia de publicar minhas, ou alheias, matérias aqui. Retomo minhas publicações. Provavelmente, escreva algo antes destas eleições sobre estas e os problemas a que, em minha opinião, se teria de dar respostas. Deixo assim no vago, o tempo urge...

Vinícius Portella

Porto Alegre,
01 0329 set 2010.

sábado, 11 de setembro de 2010

210) Quilombo da Razão

Extra, Extra! Faz poucos dias, iniciou suas atividades o Quilombo da Razão. Contando com a participação da inteligência de Paulo Roberto de Almeida, reluzente como os gumes de uma adaga, o blog pretende ser "uma posição fortificada, uma base de operações para incursões contra os irracionalismos, seja lá a cor que tiverem". Deposito muita esperança nesse quilombo.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
11 0255 set 2010.

209) Por que Marina? Por Diego Rodrigues.

Um amigo desses pelos quais lamentamos o afastamento imposto pela vida pediu-me uma opinião sobre um texto que publicara em seu blog. Eu gostei do lá exposto. No entanto, não vejo como algo negativo o fato de nossas eleições serem decididas em primeiro turno. Em verdade, tudo dentro das normas democráticas. Acredito, isso sim, que ele acerte em se referir ao esvaziamento de nosso debate político. Estas eleições tem-nos provado esse esvaziamento e o prosseguimento da tendência da discussão por meio de slogans. Não teria como apreciar a dimensão econômica do discurso de Marina; todavia, há muito tenho a impressão de que tanto Dilma quanto Serra padecem desse fetichismo cepalino por "crescimento econômico" ao qual se refere meu amigo Diego Rodrigues. Lamento, entretanto, não possuirmos candidatos nem propostas que se proponham a solucionar nossos problemas crônicos orientadas a um momento de nova inflexão tecnológica e de crescente integração internacional. Por fim, recomendo a leitura dos demais textos do Blog do Diego Rodrigues.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
11 0139 set 2010.

"(...) como economista, vejo o discurso de Marina muito mais moderno que o dos candidatos que lideram as pesquisas. "
As mais recentes pesquisas de opinião de qualquer instituto têm mostrado a forte ascensão da candidata do PT à presidência da república, Dilma Roussef, num quadro já tratado por alguns especialistas como irreversível. Se a tendência se confirmar, a candidata do presidente Lula deve se eleger já no primeiro turno, no próximo outubro.

Sei que a ida a um eventual segundo turno tende a ser nada mais que o adiamento em quinze dias da eleição de Dilma, já que, mesmo lá, o quadro é muito favorável à candidata. Mas a não ida a um segundo turno nas eleições presidenciais me perturba: vejo isso como o esvaziamento do debate político em prol das estratégias de propaganda, ou, mais especificamente, em prol da simples capacidade de transferir voto que o presidente Lula tem atualmente. Na minha opinião, a ausência de um segundo turno é ruim para o Brasil independentemente de qualquer coisa.

Que fique claro também que pelo menos parte do quadro atual se deve, penso, à incompetência surpreendente que rodeou o PSDB nesses últimos meses. Lembremos que há um ano a diferença de vinte pontos percentuais de vantagem nas pesquisas de opinião pertenciam ao candidato José Serra, mesmo muito antes de sua indicação como candidato. A briga de egos entre o então governador de São Paulo e Aécio Neves, além da inexistência de um projeto claro de oposição no país ao longo dos oito anos de governo Lula, contribuiu para que agora esteja absurdamente perdido o que antes estava praticamente ganho.

Sou só um economista, e minha visão do mundo, portanto, é estreita. Como tal, porém, vejo as candidaturas de Dilma Rousseff e José Serra como muito parecidas, apesar das farpas trocadas com mais afinco ocorrer exatamente entre esses dois candidatos. Não sei como seria um governo Rousseff, mas até arrisco a dizer que as políticas de Serra seriam mais (o que em economia eu classificaria como) à esquerda que foram as de Lula, particularmente as do primeiro mandato.

Dilma e Serra parecem ainda trazer consigo aquela tradição cepalina de fetiche por crescimento econômico, o vendo como fim único do desenvolvimento, feito na base de demanda puxada pelo Estado, e a idéia anacrônica de “projeto nacional”. Trata-se do pensamento trazido pelo governo Lula, e simbolizado pelo incremento do papel das estatais, do crescimento ainda maior do governo, e da mão com quatro dedos do presidente estampada no macacão da Petrobrás a pretexto do pré-sal, ao estilo da campanha “O Petróleo é Nosso”.

O que me preocupa mais no Brasil atual é exatamente essa euforia esquizofrênica que estamos sentindo. Vivemos a época da retomada do crescimento econômico, particularmente para as camadas mais pobres da população, da Copa no Brasil, das Olimpíadas, do petróleo. Tentamos salvar o mundo do Irã nos utilizando da nossa tradição pacifista. “Lula é o cara”, de acordo com Obama, e é o líder mais influente do mundo, de acordo com a Times. Nada me tira da cabeça que se tivéssemos ganho a Copa do Mundo desse ano, Dilma teria uns 80% de intenção de voto. Tornamo-nos nacionalistas, falar mal do país é feio: é “ame-o, ou deixe-o”. Nem Serra pode falar mal, pois, se o fizer, perderá votos. Enfim, estamos com aquele sentimento de que falta muito pouco para nos tornarmos a “potência” em que Lula acredita, algo, porém, que já vimos décadas atrás com governos como o de JK, a quem, aliás, Lula gosta de se comparar, e cujos resultados conhecemos.

Pois quem corre por fora nessa empreitada, e é deveras a novidade no discurso político brasileiro, é a candidata Marina Silva, do PV. Nessa eleição, meu voto é dela. Marina Silva é acreana, sobreviveu a sérios problemas de saúde durante sua infância, se alfabetizou depois dos quinze anos graças ao Mobral (programa de alfabetização tardia da época dos governos militares), conseguiu se graduar em História pela Universidade Federal do Acre, foi colega de luta e amiga pessoal do ativista pela Amazônia assassinado Chico Mendes, chegou a senadora e ministra, e poucas vezes a vi se utilizar dessa maravilhosa biografia para arrecadar votos, como o fazem muitos outros candidatos, com muito menos a apresentar.

Além disso, e novamente como economista, vejo o discurso de Marina muito mais moderno que o dos candidatos que lideram as pesquisas. Marina vê o crescimento econômico como um elemento a mais do desenvolvimento de um país, que deve ser composto evidentemente por outros elementos que constituem a qualidade de vida de uma sociedade, numa idéia coerente com a que se tem acerca desenvolvimento na moderna literatura econômica. E ela não se refere somente às questões ambientais, como o eleitor de caricaturas (aquele que confunde absurdamente a Marina Silva com a Heloisa Helena, por exemplo) pode imaginar, mas também ao papel do mercado nesse processo, do Estado, e das instituições, como a própria democracia. Quanto a isso, aliás, Marina parece superar o tom ranzinza que ronda a eleição atual, do embate do “bem” contra o “mal”, compreendendo que mesmo isso faz parte da idéia de desenvolvimento de uma sociedade.

Claro que nem tudo são flores. Por exemplo, não sei quem comporia um eventual governo Marina Silva, não conheço os quadros do PV, e, sinceramente, acho que este não teria condições de montar um governo (só conheço o economista Eduardo Giannetti da Fonseca, que tem orientado Marina nas questões econômicas, e quem seguramente tem influenciado suas idéias acerca de desenvolvimento econômico). Já ouvi falar também de algumas alianças espúrias desse partido nas eleições para os governos de alguns estados. O que realmente me preocupa em Marina Silva, no entanto, é o fato dela ser evangélica, e como isso afetará o tratamento de questões como drogas, aborto e casamento homossexual, que, para mim, compõem invariavelmente uma agenda de desenvolvimento. No entanto, não pensemos que os demais candidatos tratarão disso com mais propriedade. Pelo contrário, seus perfis, mesmo o do PT, com suas alianças com bases eclesiásticas, não parecem tendentes a enfrentar as concepções morais de um dos povos mais conservadores do planeta, como o nosso. Marina, por sua vez, já declarou e explicou a separação que faz de sua fé das questões de Estado, noutra demonstração da maturidade de sua visão de desenvolvimento e democracia.

Porém, sei que a eleição de Marina para presidenta é praticamente impossível e, no fundo, penso também se essa é a melhor hora para um eventual governo seu. No entanto, se eu não votasse em Dilma em virtude de alguma rejeição a ela, a Lula ou ao PT, votaria em Marina, e não em Serra. Num eventual segundo turno, Marina tem muito mais chances de atrair algum eleitor inseguro de Dilma que Serra, contanto com um fenômeno que já elegeu Rigotto e Yeda para o governo do Rio Grande do Sul como “azarões” em virtude da rejeição ao PT naquele estado, como o é Marina nessa eleição à presidência. Se já acho o segundo turno importante para o país, ficaria muito mais satisfeito em ver uma candidata com a história e idéias de Marina Silva lá.

domingo, 5 de setembro de 2010

208) Ináfio-fó, brilha uma estrela...


Clica aqui ou na imagem para ir a seu endereço de origem.

207) Democracia em risco, Democracia virtual; por Fernando Henrique Cardoso. (Ou seria um canto de cisne tucano?)

É bastante provável que a candidata do PT venha a ocupar a Presidência da República. Em parte, a explicação a isto está no momento de bonança internacional usufruído pelo Governo Lula. O país não sofreu com graves crises econômicas internacionais de 2002 até o corrente ano e se houve bem com a bolha imobiliário dos EUA que contaminou mercados do mundo inteiro. Para muitos, o Governo foi exemplar no combate a seus efeitos no Brasil, a ponto de ser um dos primeiros países a recuperar-se da dita crise e voltar a crescer. Os números com que o país têm crescido são usados como trunfo na propaganda de Lula. No entanto, pouco se ouve falar no quão abaixo da média mundial temos crescido por todos estes anos. Por que causas isso se dá? Eu não arriscaria palpites; penso, no entanto, ter ouvido Eduardo Giannetti da Fonseca falar sobre isso e aconselho que se procure suas declarações no que diz respeito a isso. A realidade não é tão azul como "nunca antes nesse país" se pintou. Penso que certa "prosperidade" - aqui o digo com toda a reserva - serviu para turvar um pouco nossa visão. Enquanto perdurar esse espírito do "beija-mão", de que nossas necessidades são resolvidas numa esfera alheia e independente de nossas vidas, continuaremos perdendo muitas oportunidades de maior crescimento. Nosso castelo apresenta muitas rachaduras - muitas se acentuando - mas quem liga para elas ante o carisma majestático de Dom Ináfio Lula da Filva?

Vinícius Portella

Porto Alegre,
05 2114 set 2010.

Um canto de cisne tucano? - Fernando Henrique Cardoso



Com perdão pela confusão zoológica, mas essa é a impressão que tive ao ler este artigo do ex-preidente. Já quase conformado com a situação, e deplorando, em altos termos sociológicos, a erosão das regras democráticas e a deterioração das instituições.
Esse é o Brasil real: um povo com 70% do eleitorado dotado de educação primária para baixo, ou seja, deseducado politicamente, se prepara para confirmar seu apreço por um presidente vindo do povo.
Que não se veja neste meu argumento uma reclamação elitista. Sou da elite, por uma simples questão de renda e de educação, aliás primeiro pela educação, pois ela veio bem antes da renda: eu já era de elite quando ainda era pobre, por ter sido simplesmente beneficiado com uma escola pública de qualidade e ter podido frequentar bibliotecas públicas infantis, e ter aprendido tudo o que é possível aprender num ambiente aberto à ascensão dos mais pobres.
Essas condições, infelizmente, já não existem mais no Brasil.
A situação atual é esta que estamos assistindo: de uma tremenda decadência institucional e uma deterioração do mores político.
Teremos de conviver com isso durante muito tempo.
Conformem-se, sociólogos e outros visitantes...
Paulo Roberto de Almeida 


Democracia em risco, Democracia virtual

Fernando Henrique Cardoso

O Estado de S.Paulo, Sábado, 4 de Setembro de 2010


Vivemos uma fase de democracia virtual. Não no sentido da utilização dos meios eletrônicos e da dicionário do Aurélio: algo que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual. Faz tempo que eu insisto: o edifício da democracia, e mesmo o de muitas instituições econômicas e sociais, está feito no Brasil. A arquitetura é bela, mas, quando alguém bate à porta, a monumentalidade das formas institucionais desfaz-se em um eco que indica estar a casa vazia por dentro.

Ainda agora a devassa da privacidade fiscal de tucanos e de outras pessoas mais mostra a vacuidade das leis diante da prática cotidiana. Com a maior desfaçatez do mundo, altos funcionários, tentando elidir a questão política – como se estivessem tratando com um povo de parvos –, proclamam que “não foi nada não; apenas um balcão de venda de dados...”. E fica o dito pelo não dito, com a mídia denunciando, os interessados protestando e buscando socorro no Judiciário, até que o tempo passe e nada aconteça.

Não tem sido assim com tudo o mais? O que aconteceu com o “dossiê” contra mim e minha mulher feito na Casa Civil da Presidência, misturando dados para fazer crer que também nós nos fartávamos em usar recursos públicos para fins privados? E os gastos da atual Presidência não se transformaram em “secretos” em nome da segurança nacional? E o que aconteceu de prático? Nada. Estamos todos felizes no embalo de uma sensação de bonança que deriva de uma boa conjuntura econômica e da solidez das reformas do governo anterior.

No momento do exercício máximo da soberania popular, o desrespeito ocorre sob a batuta presidencial. Nas democracias, é lógico e saudável que os presidentes e altos dirigentes eleitos tomem partido e se manifestem em eleições. Mas é escandalosa a reiteração diária de posturas político-partidárias, dando ao povo a impressão de que o chefe da nação é chefe de uma facção em guerra para arrasar as outras correntes políticas. Há um abismo entre o legítimo apoio aos partidários e o abuso da utilização do prestígio do presidente, que além de pessoal é também institucional, na pugna política diária. Chama a atenção que nenhum procurador da República, nem mesmo candidatos ou partidos, haja pedido o cancelamento das candidaturas beneficiadas, senão para obtê-lo, ao menos para refrear o abuso. Por que não se faz? Porque pouco a pouco estamos nos acostumando que é assim mesmo.

Na marcha em que vamos, na hipótese de vitória governista – que ainda dá para evitar – incorremos no risco futuro de vivermos uma simulação política ao estilo do PRI mexicano – se o PT conseguir a proeza de ser “hegemônico” – ou do peronismo, se mais do que a força de um partido preponderar a figura do líder. Dadas as características da cultura política brasileira, de leniência com a transgressão e criatividade para simular, o jogo pluripartidário pode ser mantido na aparência, enquanto na essência se venha a ter um partido para valer e outro(s) para sempre se opor, como durante o autoritarismo militar.

Pior ainda, com a massificação da propaganda oficial e o caudilhismo renascente, poderá até haver anuência do povo e a cumplicidade das elites para com essa forma de democracia quase plebiscitária. Aceitação pelas massas na medida em que se beneficiem das políticas econômico-sociais, e das elites porque estas sabem que neste tipo de regime o que vale mesmo é uma boa ligação com quem manda. O “dirigismo à brasileira”, mesmo na economia, não é tão mau assim para os amigos do rei ou da rainha.

É isso que está em jogo nas eleições de outubro: que forma de democracia teremos, oca por dentro ou plena de conteúdo. Tudo mais pesará menos. Pode ter havido erros de marketing nas campanhas oposicionistas, assim como é certo que a oposição se opôs menos do que deveria à usurpação de seus próprios feitos pelos atuais ocupantes do poder. Esperneou menos diante dos pequenos assassinatos às instituições que vêm sendo perpetrados há muito tempo, como no caso das quebras reiteradas de sigilos. Ainda assim, é preciso tentar impedir que os recursos financeiros, políticos e simbólicos reunidos no Grupão do Poder em formação tenham força para destruir não apenas candidaturas, mas um estilo de atuação política que repudia o personalismo como fundamento da legitimidade do poder e tem a convicção de que a democracia é o governo das leis e não das pessoas.

Estamos no século 21, mas há valores e práticas propostos no século 18 que foram se transformando em prática política e que devem ser resguardados, embora se mostrem insuficientes para motivar as pessoas. É preciso aumentar a inclusão e ampliar a participação. É positivo se valer de meios eletrônicos para tomar decisões e validar caminhos. É inaceitável, porém, a absorção de tudo isso pela “vontade geral” encapsulada na figura do líder. Isso é qualquer coisa, menos democracia. Se o fosse, não haveria por que criticar Mussolini em seus tempos de glória, ou o Getúlio do Estado Novo (que, diga-se, não exerceu propriamente o personalismo como fator de dominação) e assim por diante. É disso que se trata no Brasil de hoje: estamos decidindo se queremos correr o risco de um retrocesso democrático em nome do personalismo paternal (e, amanhã, quem sabe, maternal). Por mais restrições que alguém possa ter ao encaminhamento das campanhas ou mesmo a características pessoais de um ou outro candidato, uma coisa é certa: o governismo tal como está posto representa um passo atrás no caminho da institucionalização democrática. Há tempo ainda para derrotá-lo. Eleição se ganha no dia.
   

206) Meus Sobrinhos.

 Há também que se ver o lado bom do mundo. Se para mim as coisas não vão lá muito bem, quanto ao que há de mais importante eu não tenho o que reclamar. Amo minha família. Veio-me isso à mente por ser hoje o aniversário de uma das minhas sobrinhas. Iria dedicar-lhe uma nota, mas como não o tivesse feito com as outras duas que já fizeram aniversário neste ano, não me senti confortável para isso. Eu sou apaixonado por meus sobrinhos e não os difiro. Vejo neles muito talento e creio que, adultos, ainda darão muitas alegrias a mim e a minha família. Desta forma, por esse motivo particular, escrevo a eles de maneira indeterminada.
 
De minha parte, venho me esforçando para também contribuir com seus respectivos futuros. Eles são, no momento, a maior aposta que tenho para o futuro e talvez sejam aquilo que monopoliza quase integralmente meu otimismo para este mundo. Eu não chego a ser um pessimista; pouco eu sei, mas duvido de muito, como diria Riobaldo. Diante de tanta barbaridade, são minha melhor cartada.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
05 0405 set 2010.

205) Do lado de cá, eu sem noite de São João preso a profunda divagação.

DO LADO DE CÁ, EU SEM NOITE DE SÃO JOÃO PRESO A PROFUNDA DIVAGAÇÃO. Feriadão; tudo parece ocorrer para além do muro do meu quintal. Talvez me esteja expondo de maneira indevida, mas ao menos é a tentativa de transformar em criativo esse meu senso de alheamento. O que mais me incomoda não é este insulamento; o que mais me incomoda é não conseguir dar uma forma ao que sinto e produzir alguma obra a partir disso. É esvair-me absorto e não me realizar. Eu queria gritar, mas sou mudo.

Por hoje é só.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
05 0340 set 2010.

204) Noite de São João, por Fernando Pessoa / Alberto Caeiro.

 

Noite de S. João para além do muro do meu quintal. 
Do lado de cá, eu sem noite de S. João. 
Porque há S. João onde o festejam. 
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite, 
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos. 
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.  
(Fernando Pessoa / Alberto Caeiro)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

203) Do Trabalho, por Seu Madruga.

"Trabalhar não é ruim; o ruim é ter de trabalhar."

Seu Madruga

domingo, 29 de agosto de 2010

202) Marx e as Eleições Brasileiras, por Paulo Roberto de Almeida.

Mercado político e mercados econômicos




Marx e as eleições brasileiras

Paulo Roberto de Almeida

Uma tendência bem conhecida da ciência política consiste em fazer uma análise econômica dos processos eleitorais e dos sistemas políticos. Embora se possa dizer que metodologias e problemas podem ser aproximados, para fins de análise e de interpretação, o fato é que existem diversos elementos diferenciadores que fazem com que o mercado político não seja o exato equivalente do mercado de bens e serviços correntes. Este último é, em princípio, caracterizado pela atomização dos ofertantes e pela livre disposição de seus recursos da parte dos demandantes, ao passo que o primeiro se caracteriza por tendências bem claras ao monopólio e à exclusão. 
Independentemente, porém, do grande número de variáveis que concorrem para diferenciar um do outro, pode-se dizer que mercado político não é igual ao mercado de bens e serviços correntes por um motivo muito simples: embora o Estado possa interferir tanto num quanto noutro – por meio de regras quanto ao seu funcionamento, ou por meio de impostos sobre as transações, por exemplo –, nos mercados puramente econômicos, os compradores dispõem (pelo menos nos sistemas capitalistas e razoavelmente democráticos) de liberdade completa para determinar quantidades, tipos e formatos das prestações dos bens e serviços aos quais pretendem alocar seus ativos financeiros. O consumidor é, em princípio, soberano nas suas escolhas e atua com base nas informações disponibilizadas pelos produtores, que teoricamente concorrem entre si pelas preferências do primeiro. Economistas liberais tendem a considerar a economia dos livres mercados como sendo uma espécie de “ditadura do consumidor”, o que se aproxima apenas parcialmente da realidade (já que cartéis, monopólios, coalizões e colusões de produtores deformam as condições de concorrência, em detrimento dos consumidores, obviamente). Na prática, todos os mercados são imperfeitos.
Nos mercados políticos, ao contrário dos de natureza econômica (ou com bem maior ênfase do que nestes), o Estado é, não apenas um interlocutor incontornável e um regulador necessário, como atua, também, como agente de seus próprios interesses, obviamente não enquanto Estado, mas enquanto governo. O Estado é, em grande medida, uma figura abstrata, virtual ou, em certo sentido, quase ficcional; ele existe, obviamente pelas suas instituições e pelo conjunto de leis e normas que regulam a ação de seus agentes permanentes, mas se expressa de modo muito mais afirmado enquanto ator de primeiro plano em suas roupagens de governo e de coalizão de forças a serviço dos partidos e dos grupos de interesse representados e ocupando suas instituições dotadas de vontade política. 
Nessa condição, o Estado deixa de ser abstrato para passar a representar interesses políticos, econômicos e projetos tangíveis e intangíveis vinculados aos líderes políticos que ocupam temporariamente suas alavancas de comando. Isto é básico e elementar, conhecido de qualquer estudante de graduação que tenha lido seus manuais de ciência política ou debruçado-se sobre a obra de Max Weber. Aliás, até mesmo Marx, nas páginas muito rudimentares do Manifesto Comunista, ou naquelas melhor elaboradas do 18 Brumário, já tinha detectado essa captura do Estado por forças políticas ou por personagens excepcionais – nem todos representando as “elites” tradicionais – que se movimentam no grande palco das lutas pelo poder. 


Uma interpretação marxista dos embates eleitorais no Brasil de 2010

Justamente, se Marx fosse chamado a reescrever suas obras políticas mais conhecidas – como os já citados Manifesto e 18 Brumário, acrescidos do Luta de Classes na França – adaptando-as ao cenário do Brasil atual, eis o que ele talvez redigisse, como síntese da campanha eleitoral em curso e da própria conjuntura. 
Se considerarmos o estado atual da luta de classes no Brasil, depois de anos e anos de afirmação de uma liderança cesarista e carismática, o que se pode dizer é que todas as classes se renderam ao Bonaparte do momento. Não ocorreu, para todos os efeitos, qualquer golpe na trajetória política recente do país, algo inesperado como um raio caído de um céu azul. Não; tudo foi o resultado racional-legal da lenta ascensão de classes pouco trabalhadoras ao pináculo do poder, o produto final da lenta acumulação de forças pelo partido da reforma conservadora. O final lógico desse teatro de lutas contra os burgueses liberais nos últimos anos já era o esperado: o manto imperial caiu, finalmente, nos ombros do pequeno Bonaparte, sem sequer algum gesto dramático, menos ainda com qualquer sinal de tragédia. Foi, assim, um triunfo de comédia.
Todas as classes, com exceção de uma fração extremamente reduzida de ideólogos da pequena burguesia libertária, se renderam ao líder aclamado; a minoria que o ataca não tem qualquer força social atrás de si para contestar o seu domínio completo sobre a sociedade. A máquina burocrático-sindical já estava ganha desde o início, pois foi dela mesmo que o novo Cesar emergiu para uma ascensão lenta, mas irresistível. Os movimentos desorganizados do lumpesinato e do proletariado não sindicalizado foram os que convergiram em segundo lugar, pois eles encontraram no Tesouro da República a justa compensação pela escolha judiciosa que fizeram. Não foi preciso repetir a história, sequer como farsa, no caso da grande burguesia industrial e dos representantes da alta finança: eles já tinham sido convencidos, desde antes da ascensão do imperador, de que seus interesses de classe seriam regiamente compensados, como de fato o foram, pela fidelidade demonstrada ao novo esquema de poder. Todos eles foram colocados na mesma categoria de apoiadores, meras figuras decorativas na urna de votos do novo Cesar, como se fossem simples unidades indistintas de um grande saco de batatas. 
O fato é que até mesmo o antigo partido da reforma conservadora foi parar nesse saco de batatas, e virou o partido da Ordem, submisso como todos os outros ao poder do chefe supremo. As bases de seu poder são relativamente transparentes, pois basta seguir o itinerário do dinheiro que escorre dos cofres públicos – isto é, dos bolsos da burguesia e da pequena burguesia, dos grandes proprietários fundiários, dos caixas das empresas da burguesia industrial, e até mesmo dos parcos tostões do proletariado e seus aliados menores. Temos, em primeiro lugar, a plutocracia financeira, aquela que sempre se opôs ao partido da reforma, quando este era desestabilizador, mas que logo se acomodou, ao constatar que o grande líder propunha, na verdade, uma coalizão diferente para manter o mesmo esquema de poder real; ela foi contemplada, como sempre, com os juros da dívida pública, sem precisar fazer qualquer esforço no mercado de capitais ou na busca de clientes para seus empréstimos extorsivos. A grande burguesia das fábricas e dos negócios comerciais também soube encontrar o seu nicho no novo esquema de poder: um mercantilismo renascido com um Estado ainda mais forte, capaz de dispensar empréstimos facilitados, isenções fiscais, tarifas protetoras e toda sorte de prebendas e subsídios que tinham uma existência mais modesta na antiga República neoliberal. 
Vem em seguida a nova aristocracia sindical, que já não era operária havia anos, provavelmente a décadas; sua fração burocrática converteu-se em parte integrante da nomenklatura estatal, a nova classe privilegiada, que alguém já chamou de “burguesia do capital alheio”. A maior parte, porém, continuou nas corporações sindicais, agora locupletando-se de fundos públicos, que lhe são repassados sem qualquer controle. Junto com os militantes do antigo partido da reforma, eles constituem os elos mais relevantes do novo peronismo em construção, uma nova força política que é puro movimento, sem qualquer doutrina ou construção teórica mais elaborada. Os aliados da academia, que poderiam fornecer uma base intelectual para o partido da reforma, os universitários gramscianos, estes parecem singularmente estéreis na produção de novas idéias, pois ficam repetindo velhos slogans do socialismo do século 19, sem qualquer originalidade ou refinamento. São tão atrasados, e alienados, esses acadêmicos repetitivos, que terminaram por ver num coronel golpista, de notórias tendências fascistas, um líder progressista do novo socialismo; o êmulo de Mussolini pretende que o seu socialismo seja do século 21, quando este nada mais constitui senão uma confusão mental e uma construção estatal digna do que havia de pior no sovietismo esclerosado. 
Outros componentes do mesmo saco de batatas são os funcionários públicos, alguns verdadeiros mandarins, a maioria simples beneficiários da prodigalidade estatal, que, na média, recebem o dobro do que ganhariam na iniciativa privada, para níveis de produtividade que são, na média, menos da metade daquelas do setor privado. Figuram ainda no saco, finalmente, os recipientes do maior programa social do mundo, que vem a ser, também, um grande curral eleitoral: o lumpesinato, de forma geral, e os vários lumpens urbanos, em particular, com alguns pequeno-burgueses espertalhões aqui e ali. Não se deve esquecer, tampouco, tubérculos igualmente vistosos, como os beneficiários de bolsas para diversas categoriais sociais ou as cotas para os representantes do Apartheid em formação, os promotores do novo racismo oficial. 
Ficam de fora do saco de batatas apenas e tão somente 3 ou 4% do eleitorado, representado politicamente por figuras teimosas, que recusam inexplicavelmente o mito do demiurgo e que pretendem continuar o combate de retaguarda, sem qualquer esperança de reverter o curso do processo político no futuro previsível. Esses novos mencheviques intelectuais também fazem sua própria história, mesmo se eles ainda não têm consciência disso: eles não podem, contudo, esperar fazer sua revolução a partir de um passado já enterrado; apenas em direção ao futuro, embora o caminho seja longo e os resultados muito incertos.
O que parece certo é que a mistura de pequeno Napoleão com um Perón improvisado também terá um dia sua estátua derrubada do alto da coluna Vendôme, não tanto como resultado de uma nova luta de foices e martelos, mas como o produto de uma lenta evolução educacional. Esta é a revolução mais difícil de ser provocada, mas constitui, legitimamente, o único processo revolucionário de que o Brasil necessita.

Zhengzhou, 24.08.2010; Shanghai, 26.08.2010

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A frase bonapartista: 


'Ainda tenho caneta para fazer miséria neste País', diz Lula

201) Um sítio dedicado a Alexis de Tocqueville

Alexis jeune homme
Alexis jeune homme ; Anonyme, coll. privée
© AD Manche / Poirier
Deveria estar colocando aqui muito mais material sobre as presentes eleições. No entanto, em função da rotina que me puxa para outras tarefas, não o tenho feito. Logo devo preparar algum material que preencha um pouco essa coluna vaga neste blog. Por ora, venho divulgar um sítio do Ministério da Cultura e da Comunicação francês cujo conteúdo me agradou bastante.  Em tempos de eleições, é sempre bom tornar àquele que lançou um arguto olhar sobre a democracia. Com vocês, Alexis de Tocqueville.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
29 0007 ago 2010.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

200) Um Estranho no Ninho ou o Ovo do Cuco Totalitário.

Em matéria de democracia, certos fundamentos devem ser muito bem guarnecidos sob pena de o edifício inteiro vir abaixo. Certas instituições de Estado têm de ficar a salvo da infiltração e manipulação partidárias - principalmente quando enfeixam grande poder - sob pena de a liberdade de uma nação inteira estar ameaçada. Certas iniciativas são como o ovo que o cuco deixa no ninho de outras aves - um estranho no ninho que, nascido, se põe a tocar para fora, no chão, os demais ovos. Abaixo, um ataque gravíssimo à nação, à república, à democracia.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
26 0141 ago 2010.


Brasil: os subterraneos do Estado policialesco e ilegal



Estamos falando não de simples golpes de alguns espertos, mas do próprio ovo da serpente totalitária, o Estado policialesco, como existia na RDA, com a Stasi, e como existe em Cuba, com o aparelho de segurança. A corja a serviço de uma causa política coloca o Estado como mero provedor de informações estratégicas para seu projeto de poder. 

Não compreendo como as pessoas não se sentem pessoalmente atingidas por esse tipo de crime. É isto que nos espera...

Paulo Roberto de Almeida



Receita vasculhou sigilos de mais 3 pessoas ligadas a Serra e FHC

Leandro Colon e Rui Nogueira

O Estado de S.Paulo, 25 de agosto de 2010


Investigação revela que Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado também tiveram sigilos quebrados

BRASÍLIA - Investigação interna da Receita Federal revela que acessos suspeitos aos sigilos fiscais de adversários do PT foram além do manuseio dos dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. Os documentos mostram que, no mesmo dia, de um mesmo computador e em sequência, servidores do Fisco abriram os dados sigilosos de Eduardo Jorge e de mais três pessoas ligadas ao alto comando do PSDB. São elas: Luiz Carlos Mendonça de Barros, Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregório Marin Preciado. 


O Estado teve acesso a informações do processo aberto pela Corregedoria da Receita para saber quem acessou e por que os dados de Eduardo Jorge foram abertos em terminais da delegacia da Receita Federal em Mauá (SP). Essas informações foram parar num dossiê que teria sido montado por integrantes do comitê de campanha da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT). A oposição acusa funcionários do governo de violarem os sigilos fiscais de tucanos para fabricar dossiês na campanha eleitoral.

Os dados da investigação revelam que as declarações de renda de Eduardo Jorge e dos outros três tucanos foram acessadas do mesmo computador, por uma única senha, entre 12h27 e 12h43 do dia 8 de outubro do ano passado. O terminal usado foi a da servidora Adeilda Ferreira Leão dos Santos. A senha era de Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Às 12h27, foi aberta a declaração de renda de 2009 de Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações do governo de Fernando Henrique Cardoso. Três minutos depois, às 12h30, acessaram os dados do empresário Gregorio Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra. Às 12h31, a declaração de Renda de Ricardo Sérgio foi aberta. Ele é ex-diretor do Banco do Brasil no governo FHC. Às 12h43m41s daquele mesmo dia, o mesmo terminal acessou a declaração de renda de 2009 de Eduardo Jorge. Quatorze segundos depois, os dados referentes a 2008 foram abertos por um servidor da Receita.


Os nomes dos tucanos foram destacados pela própria investigação da Receita Federal, como "contribuintes que despertaram interesse na apuração". O trabalho de apuração da Receita compreendeu os acessos ocorridos naquela delegacia entre 3 de agosto e 7 de dezembro de 2009. Em depoimento à corregedoria da Receita, as duas funcionárias negam envolvimento na abertura desses dados. Dona da senha usada, Antonia Aparecida alega que repassou o código a outras duas colegas e que não sabe quem fez essas consultas.  

terça-feira, 24 de agosto de 2010

199) A maior reforma alemã do pós-guerra se aproxima.

ALEMANHA | 24.08.2010

Forças Armadas alemãs estão diante da maior reforma do pós-guerra

 
Forças alemãs são terceiro maior contingente no Afeganistão
Forças alemãs são terceiro maior contingente no Afeganistão

Segundo planos do ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, a Bundeswehr ficará menor e mais eficiente. Serviço militar e civil obrigatórios deixarão de existir. Novo modelo deverá contar com voluntários.

 
A Bundeswehr está prestes a passar por sua maior reforma no pós-guerra. As mudanças nas Forças Armadas alemãs deverão não apenas reduzir seu orçamento, mas também provocar modificações estruturais que ainda são alvo de controvérsia no cenário político do país.
Segundo os planos revelados nesta segunda-feira (23/08) pelo ministro da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, as alterações previstas reduzirão em um terço o número de soldados, que cairá de 252 mil para entre 165 e 170 mil.
"As Forças Armadas ficarão menores, melhores e mais eficientes", argumentou Guttenberg, que acredita que a reforma as tornará mais modernas do que no modelo atual.
O ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schäuble, pretende cortar 8,3 bilhões de euros dos gastos militares como parte do plano nacional de austeridade que visa economizar 80 bilhões nos próximos quatro anos.
O orçamento anual destinado ao setor de defesa na Alemanha é de 31,2 bilhões de euros, o quarto maior das forças da Otan. Os Estados Unidos, que lideram a lista da Otan, gastam 13 vezes mais que a Alemanha. Reino Unido e França ocupam o segundo e terceiro lugar respectivamente.
Serviço obrigatório
Ainda segundo os planos futuros, o serviço militar deixaria de ser obrigatório, medida que poderia começar a valer já a partir de meados de 2011. Em vez de recrutar os jovens, o serviço militar do país empregaria cerca de 7.500 voluntários. Esse ponto da reforma, no entanto, é alvo de críticas.
"O total de 7.500 voluntários por ano está longe de ser o bastante para se obter jovens satisfatoriamente qualificados", argumentou Rainer Arnold, especialista em política de defesa da bancada social-democrata no Parlamento alemão. Para ele, seriam necessários, no mínimo, entre 20 e 30 mil voluntários. 
A chanceler federal, Angela Merkel, afirmou não ser contra o fim do serviço militar obrigatório, mas não quis se declarar favorável a um determinado modelo.
Apesar de o alistamento militar perder seu caráter obrigatório, o ministro Guttenberg ressaltou que esse item não será excluído da Lei Fundamental. "Algumas pessoas podem dizer que sabem como o mundo será daqui a dez ou vinte anos. Eu não. Por isso, é muito importante que o alistamento fique na constituição."
Outra exclusão

Também a obrigatoriedade do serviço civil, que é hoje uma alternativa ao alistamento militar, será suspensa. Entretanto, a atividade representa um grande apoio ao trabalho de diversas instituições sociais no país. Por isso, também a ministra da Família, Kristina Schröder, planeja substituí-lo por um serviço nacional voluntário.
A ministra espera atrair cerca de 35 mil homens e mulheres por ano para o novo serviço voluntário. O trabalho nas instituições teria seis meses de duração, podendo chegar a 24 meses em casos excepcionais, com um salário de 500 euros mensais.
"Não tenho a ilusão de que conseguiremos substituir completamente o que temos agora", disse a ministra, defendendo a qualidade do atual modelo. No entanto, Schröder destacou que o novo projeto ofereceria as oportunidades do serviço civil também às mulheres.
Em 2009, cerca de 68 mil homens foram convocados ao serviço militar, e outros 90 mil optaram pelo serviço civil.
Até a queda do Muro de Berlim em 1989, a Alemanha evitou participação em conflitos armados, limitando a atuação dos soldados a serviços de ajuda humanitária.
Nas últimas décadas, entretanto, a Bundeswehr participou de missões na Somália, no Kosovo, no Congo e no Afeganistão, onde a Alemanha possui o terceiro maior contingente das forças internacionais.
NP/rts/dpa/afp
Revisão: Rodrigo Rimon

sábado, 21 de agosto de 2010

198) O Livro, a Memória e a Imaginação.

“Dos diversos instrumentos utilizados pelo homem, o mais espetacular é, sem dúvida, o livro. Os demais são extensões de seu próprio corpo. O microscópio, o telescópio são extensões de sua visão; o telefone é a extensão de sua voz; em seguida, temos o arado e a espada, extensões de seu braço. O livro, porém, é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.”
(Jorge Luis Borges)

197) Reforma Agrária: Querelas.

Abstenho-me de qualquer comentário, não querendo dizer que concorde ou não com tais palavras. Este texto fora há muito selecionado para publicação n'O Arqueiro Prudente, mas não o pude fazer. Todavia, é um tema importantíssimo a ser pensado sob diferentes pontos, evitando-se os lugares-comuns que nada ajudam a elucidar a situação e sua melhor solução. 

Vinícius Portella

Porto Alegre,
21 0605 ago 2010.
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Reforma Agraria: chamando as coisas pelos nomes (Katia Abreu)

O Brasil exibe, atualmente, uma completa inversão de valores, e a sociedade assiste, estupefata, a cenas explícitas de ilegalidades, sancionadas pelo governo.

O texto abaixo restabelece algumas verdades que precisam ser ditas.
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A esquerda não quer a reforma agrária

KÁTIA ABREU

O Estado de S.Paulo, 25 de maio de 2010

Nada obsta mais a reforma agrária no Brasil que a manipulação político-partidária que dela se faz. A estratégia criminosa de invasões de terras é a ponta de lança desse processo. Transforma o produtor rural em vilão e o invasor em vítima, numa espantosa inversão de valores. A entidade que tudo patrocina, o Movimento dos Sem-Terra (MST), inexiste juridicamente, o que impede reparações judiciais.

O governo, que deveria garantir a segurança dos contribuintes, faz vista grossa, emite declarações simpáticas aos invasores e chega ao requinte de produzir um decreto, o PNDH-3, em que os considera parte a ser ouvida antes de o invadido recorrer à Justiça para reclamar a reintegração de posse. Pior: financia os invasores, via ONGs constituídas com a única finalidade de gerir uma entidade abstrata, embora concreta em seu objetivo predatório. Acumulam-se aí ilícitos: além da invasão, há o ato irregular governamental, denunciado pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, de financiar entidades que burlam a lei.

Quanto já foi gasto - sabe-se que são centenas de milhões de reais - a pretexto da reforma agrária, em dinheiro repassado a essas ONGs? E o que de concreto foi feito para realizá-la? Qual a produtividade dos assentamentos do MST? São perguntas sem resposta, que justificaram a instalação de uma CPI mista no Congresso Nacional, sistematicamente sabotada pela maioria governista.

Em vez de respondê-las, os agentes partidários, travestidos de funcionários públicos, empenham-se em difundir a infâmia de que a maioria dos produtores rurais ou é predadora do meio ambiente ou escravagista. A manipulação de causas contra as quais ninguém, na essência, se opõe é um dos truques de que se vale uma certa esquerda fundamentalista, adversária da livre-iniciativa, para manter como reféns os produtores rurais, difamando-os.

Nenhuma pessoa de bem - e a imensa maioria dos produtores rurais o é - é a favor do trabalho escravo ou da destruição do meio ambiente. Mas isso não significa que concorde com qualquer proposta que se apresente a pretexto de defender tais postulados. Não basta pôr na lei punições contra o "trabalho degradante". É preciso que se defina o que é e o que o configura concretamente, princípio elementar da técnica jurídica.

A lei não pode ser meramente adjetiva, o que a torna, por extensão, subjetiva, permitindo que seja aplicada conforme o critério pessoal do agente público. Foi esse o ponto que me fez, como deputada federal e depois como senadora, exigir emendas a uma proposta legislativa de punição por trabalho escravo. Não o defendo e o considero uma abjeção inominável. Quem o promove deve ser preso e submetido aos rigores da lei, sem exceção, sem complacência. Mas tão absurdo e repugnante quanto o trabalho escravo é manipulá-lo com fins ideológicos.

O que se quer é o fim da livre-iniciativa no meio rural, pela sabotagem ao agronegócio, hoje o segmento da economia que mais contribui para o superávit da balança comercial do País.

A fiscalização das propriedades rurais está regulada pela Norma Regulamentar n.º 31 do Ministério do Trabalho (MT), que tem 252 itens e desce a detalhes absurdos, como estabelecer a espessura do pé do beliche e do colchão.

Afirmei, em razão desses excessos, ser impossível cumpri-la em sua totalidade e que havia sido concebida exatamente com essa finalidade. Tanto bastou para que fosse acusada de defender o trabalho escravo, recusando-me a cumprir práticas elementares, como o fornecimento de água potável e condições básicas de higiene. Desonestidade intelectual pura.

A Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que presido, tem sido bem mais eficaz que o Estado na fiscalização trabalhista nas propriedades rurais. Basta conferir os números: os grupos móveis de fiscalização do MT percorreram, em sete anos - de 2003 até hoje -, 1.800 fazendas. A CNA, em 90 dias, percorreu mil fazendas e já está promovendo o circuito de retorno, para averiguar as providências tomadas.

A CNA, com o objetivo de aprimorar o trabalho no meio rural, vai criar um selo social - uma espécie de ISO 9000 trabalhista - para qualificar as propriedades-modelo, qualificando também sua produção. Esse selo indicará não só zelo social, mas respeito ao meio ambiente e adoção de práticas produtivas adequadas. Não queremos responder às injúrias com injúrias, mas com demonstrações concretas de nosso empenho em contribuir para o desenvolvimento econômico e social do País.

É preciso que se saiba que 80% dos produtores rurais brasileiros são de pequeno e médio portes e não suportam economicamente esse tipo de sabotagem, que se insere no rol de crimes contra o patrimônio, de que as invasões de terras são a ponta de lança.

Em quase todos os casos, os enquadrados como escravagistas não são processados. E por um motivo simples: não o são. As autuações trabalhistas que apontam prática de trabalho escravo são insuficientes para levar o Ministério Público a oferecer denúncias pela prática de infrações criminais. O resultado é que, enquanto isso não ocorre, o produtor tachado de escravagista fica impedido de prosseguir em seu negócio e acaba falido ou tendo de abrir mão de sua propriedade. A agressão, como se vê, não é somente contra o grande proprietário, mas também contra a agricultura familiar, cuja defesa é o pretexto de que se valem os invasores e difamadores.

Diante disso tudo, não hesito em afirmar que se hoje o processo de reforma agrária não avança no País a responsabilidade é dessa esquerda fundamentalista, que manobra o MST, consome verbas milionárias do Estado e proclama a criminalização dos movimentos sociais. Não há criminalização: há crimes, com autoria explícita. O MST, braço rural do PT, não quer a reforma agrária, mas sim a tensão agrária, de preferência com cadáveres em seu caminho, de modo a dar substância emocional a um discurso retrógrado e decadente. Reforma agrária não é postulado ideológico, é imperativo do desenvolvimento sustentado. Por isso a CNA a apoia. Por isso o MST e a esquerda fundamentalista não a querem.

SENADORA (DEM-TO), É PRESIDENTE DA CNA
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2 COMENTÁRIOS:

Tiago disse... 

DR PRA, concordo plenamente que existem vários membros, pertencentes ao MST, que se valem do pretexto da reforma ágraria para invadirem terras.Acusando-as, dessa maneira, de serem improdutivas e aos seus donos de ferozes destruidores da natureza ou até mesmo escravagistas, algo que eu, particularmente, acho abominável, dado que a maioria dos agricultores são honestos. Não acho certo, noentanto, a generalização com que a questão é tratada, "demonizando", de uma forma geral, o MST.Neste, como em todos os outros lugares, inclusive entre os senadores, existem pessoas desonestas, que enxergam, através de uma instituição, uma maneira de se benefíciarem.A maioria, entretanto, destes militantes são descentes, que lutam por algo justo:A reforma agrária. As terras improdutivas, infelizmente, são uma realidade, não um mero fruto onírico da esquerda brasileira com o intuíto de se beneficiar.Sei que é clichê o que vou dizer, mas, nunca foi feito nada para se mudar a estrutura fundiária deste país, pelo contrário, sempre foi fervorosamente defendido os direitos aristocráticos.À começar por nossa mídia, que sempre quando tocado no assunto age de forma irrepressível e hostil com quem pense diferente.Tudo isso, fora o fato, o Brasil tem 80 por cento de seus produtores rurais de pequeno e médio porte, noentanto, com quantos por cento das terras ? Tenho certeza, que a taxa é muito menor que 80 por cento. A terra improdutiva existe, e a reforma agrária é uma necessidade, o que não justifica as falsas acusações e o usurpo ideológico feito por alguns membros do MST.Devemos aceitar, porém, que a maioria dos seus está ali por uma causa justa - o seu direito de trabalhar.

QUARTA-FEIRA, MAIO 26, 2010 12:50:00 AM 


Paulo R. de Almeida disse... 


Tiago, Acho que você não está vendo a realidade. O MST não é um movimento e sobretudo não é de "sem terras". Trata-se de um partido político neobolchevique que arregimenta o lumpenproletariado urbano e o lumpesinato rural para fins basicamente politicos. Agricultor está trabalhando, em suas próprias terras ou arrendando terras de outros para produzir e vender no mercado. O que o MST faz é arrancar dinheiro do governo e das ONGs, inclusive estrangeiros ingenuos, para promover o que ele pensa ser um processo revolucionário, de abolição da grande propriedade capitalista, do agronegócio exportador e, em última instância, do Estado burguês. O MST quer tanto a reforma agrária quanto eu quero chegar na Lua... Não existem terras improdutivas no sul e sudeste do país, talvez algum resqúicio no norte e nordeste, mas certamente não no centro-oeste, uma fronteira agrícola em constante expansão, movida justamente por verdadeiros agricultores, não gigolôs do dinheiro público que são os militantes do MST. Acho que você não tem idéia do que sejam "direitos aristocráticos". Você precisa visitar as fazendas brasileiras produtivas, para ver a realidade do campo brasileiro, que não é a que pinta o MST. Concentração de terras existe, como existe concentração em determinadas atividades urbanas: o mercado e as regulação da concorrência se encarrega de mudar as condições sempre. Paulo Roberto de Almeida

QUARTA-FEIRA, MAIO 26, 2010 6:52:00 AM