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segunda-feira, 20 de junho de 2011

254) As Intermitências do Arqueiro.

Não tenho conseguido me dedicar a'O Arqueiro Prudente tal qual eu gostaria. Uma série de fatores contribuiu para o meu afastamento, mas espero logo conseguir contornar todos esses obstáculos e voltar a pleno vapor. Há muito trabalho a ser feito e não será agora que o arqueiro aposentará seu arco. Mas para que não pese sobre esta página um clima de tempo perdido em inércia, convém se ressaltar que este escriba estabeleceu novos laços e espera com isto enriquecer o material aqui publicado. Fica a esperança de que as amarras a impedi-lo de erguer a mira sejam, finalmente, rompidas.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
20 1806 jun 2011.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

248) Nota sobre o Mundo Islâmico.

N
ão sei por que cargas d’água, acordei de madrugada e não consegui retornar para o meu sono. Por acaso, então, vi um daqueles vídeos exibidos pela TV Globo em que um clérigo de alguma religião fala sobre a visão de seu credo quanto ao assunto em questão. No caso, a religião era o Islã – não me recordo como se denominava seu representante – e o assunto girava em torno de métodos anticoncepcionais como a pílula. Chamou-me a atenção sua resposta quanto à existência ou não de políticas públicas de controle de natalidade no mundo islâmico. Sua resposta dizia que não, que, tendo como sustentar seus membros, este assunto competia exclusivamente ao Profeta e à família, não devendo o Estado ter ingerência sobre isto. Cá não venho discutir este ponto, refutá-lo ou o subscrever. Apenas ressaltar uma noção que, a meu ver, me pareceu bastante liberal.

Em contraste, o mundo árabe está convulso em meio a tantas manifestações e muito distante de um ambiente de liberalidade. Temos lá ditaduras, anseios de liberdade e de outras coisas menos nobres ou mesmo sórdidas. Pergunto-me porque lá os ditadores se aferram tanto ao poder, enquanto, por exemplo, na América Latina foram os próprios regimes autoritários, em grande parte, que promoveram a passagem do poder às instituições democráticas. Tenho minhas hipóteses, mas numa outra oportunidade escrevo sobre elas.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
22 0951 fev 2011.

domingo, 23 de janeiro de 2011

246) Adeus, pequeno Márcio.


Há 13 anos, morria um primo e hoje morreu seu filho. O menino nasceu após a morte do pai e recebeu o nome pelo qual este gostava de ser chamado: Márcio. Eu não imaginava que hoje em dia ainda se morria de tétano, mas mais uma vez veio a vida com suas agruras a tirar-me a inocência. Eu não era próximo ao guri, porém vou dormir triste. O dia estava tão bom e, infelizmente, foi terminar com uma notícia tão trágica como essa. Eu não sei o que dizer, apenas gostaria que cuidássemos melhor de nossas crianças e; fôssemos, assim, poupados de ver nossos pequenos serem levados por aquilo que poderia ser evitado sem grande dificuldade. Vai em paz, pequeno Márcio; resta-nos agora cuidar dos que ficam.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
23 2313 jan 2011. 

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

219) A militância do PT é compatível com os preceitos democráticos?

Como diria Weber, mas em outras palavras: é próprio do devoto fanático o sacrifício da razão. A ação de muitos militantes petistas tem sido exemplificação de tal assertiva. Falo em dois casos específicos: o primeiro, do grupo que foi pressionar o dono de uma das gráficas responsáveis pela impressão do folheto clerical anti-Dilma; o segundo, do incidente em que foi arremessado um objeto na cabeça de José Serra. Estes são bons exemplos de quando a devoção a uma causa faz com que pessoas cometam os atos mais sórdidos a despeito de qualquer questionamento moral ou racional. Não penso haver dúvidas em relação ao fato de terem extrapolado o marco legal sobre o qual está assentada nossa democracia ao intimidarem o gráfico à revelia de seus direitos individuais e ao hostilizarem um candidato legítimo à Presidência da República.

A desculpa de que houve manipulação de imagens não se aplica ao primeiro caso quando o próprio vídeo veiculado no sítio do partido mostra perfeitamente quão insidiosa foi a situação. Quanto ao segundo caso, há quem diga que foi armação do candidato do PSDB e queira minorar a situação. O ponto não é o que foi jogado nele, mas a hostilidade a ele. Assim, teria-se o problema mesmo se fosse um algodão que o atingisse. O fato ocorrido foi a ação de elementos petistas para que a passeata do candidato da oposição não seguisse seu devido curso. Certamente, um ataque a um instituto democrático.

Houve quem quisesse estabelecer alguma relação disto com a S.A. nazista. Em verdade, uma comparação muito fraca quando se conhece a história brasileira. Esse tipo de fato remete-nos ao tempo em que a política carioca era feita nas ruas pelos capoeiras. Os políticos mantinham capangas para pressionar ou eliminar seus desafetos. Formavam-se gangues que muitas vezes se enfrentavam dando grande instabilidade ao panorama político de então. Percebe-se aí o expediente de meios extra-legais respondendo a interesses particulares. Este é um traço não de um ambiente totalitário, senão de uma sociedade patrimonialista como ainda é a nossa. Denota a fraqueza de nossas instituições que ainda não conseguem impor seu jugo a todos no território brasileiro.

Por fim, devem ser penalizados aqueles que se valeram de meios violentos ou de coação para atingirem seus fins políticos. A impunidade poderá servir como estímulo à formação de grupos que recorram à violência para fazer justiça com as próprias mãos. Neste caso, estarão soltos os monstros da barbárie.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
22 0316 out 2010. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

218) Problema finalmente eliminado?

Minha internet parava de funcionar quando da minha tentativa de publicação de algum texto aqui. Aparentemente, solucionei o problema (desta vez, acredito que sim). Isto e mais meu monte de leituras atrasadas têm feito com que minhas publicações rareiem neste espaço. Todavia, logo espero voltar a postar material aqui com maior frequência.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
13 1317 out 2010.

sábado, 9 de outubro de 2010

215) Urbana Legio Omnia Vincit

Em tempos de bandas coloridas, fico contente em encontrar o sítio da Legião Urbana na rede a preservar a memória daquela que foi uma de nossas maiores bandas de rock no Brasil.  Ingressei na adolescência ao som da Legião; Renato morrera havia dois anos, mas sua banda continuava com uma grande força. Suas músicas tocavam em muito a juventude e posso dizer que suas letras foram um dos componentes de meu despertar crítico. Eu acho totalmente desmedida certa veneração por Renato Russo. No entanto, não se pode colocar o cantor sob crítica por sandices alheias. Renato tinha suas extravagâncias, mas tinha muito claro para si que o rock era atitude; atitude para trabalhar e mudar as coisas para melhor. A começar por si. Hoje vejo esse pessoal por aí cantando essas músicas açucaradas e fico pensando o que houve de errado para chegarmos a este ponto, mas mal me demoro neste pensamento. Em verdade, houve que outras coisas acabaram não dando certo... Ficamos com a futilidade e a superficialidade instituídas.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
19 2213 set 2010. 

214) Divagações sem Rigor da Madrugada.

Infelizmente, vivo num país em que os eletrônicos (computadores, video games, etc) são muito caros. Destarte, namoro-os de longe. O que não é o caso de certo amigo meu que é um verdadeiro "MacViciado". Por sua influência, fiquei muito tentado a comprar algum computador da Apple, mas devido a uma série de fatores, foi-me possível somente comprar um Dell Inspiron 11z. Aqui não ponho o "entre-net-notebook" da Dell como uma pior opção em relação aos computadores da empresa de Steve Jobs; estritamente quer dizer que não pude satisfazer meu intento inicial (adquirir um MacBook, um Ipad, etc). Todavia, minha experiência tem sido muito boa com a Dell. Estou faz algum tempo com minha pequena bugiganga e ela já apresentou alguns pequenos erros, mas o suporte da Dell tem me parecido formidável. Assim, vale todo o dinheiro investido numa traquitana dessas, bem como o pagamento das licenças dos produtos desta empresa. Eu não entendo muito de informática, mas percebo quando um serviço é bem oferecido, visando a sanar qualquer problema que seu cliente possa ter. Aos críticos da "lógica do mercado", duvido que servidores públicos desenvolveriam uma plataforma tão eficiente em sanar os problemas de seus consumidores. Este é mais um exemplo de que o mercado nem as empresas são vilãs e de como perseguindo seus interesses podem ajudar a outras pessoas a perseguirem os seus.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
07 0254 out 2010.

213) Devaneios Noctívagos

Ainda que seja parco meu conhecimento sócio-econômico, penso com segurança poder afirmar que uma nação não prospera sem empreendedores. Pessoas que assumam os riscos necessários à busca do lucro almejado. Não meros aventureiros, rentistas ou outrens subordinados à fortuna ou à sorte dos privilégios, senão aqueles que não se contentam com a passividade e exercem sua vontade sobre o mundo. Mas, no Brasil, tal tipo não se encontra amplamente disseminado; só não se encontra em extinção porque nunca foram partes de nossa fauna e os que cá se encontraram ou encontram estão mais para aves migrantes. E penso que não poderia ser diferente dadas nossas características culturais. Como bem distingue José Murilo de Carvalho, pendemos mais para a estadania do que para a cidadania. Esta, pressupõe uma ordem jurídico-política a instituir o cidadão, conferindo-lhe direitos e deveres, bem como a um pacto, à defesa de interesses, etc; aquela, diz respeito a existência não propriamente de cidadãos, senão de pessoas cuja ação não é pautada por regras impessoais na forma de leis e sim dos favores auferidos de sua proximidade ao Estado. Na estadania vigoram os intitulamentos estreitamente restritos, os privilégios e tudo aquilo característico dos "amigos do rei". Essas pessoas não assumem riscos já que estes tornam-se desnecessários dada segurança do seio estatal. O Poder lhes acena com dádivas, estas dadas àqueles leais ou cuja lealdade convém ser conquistada. Todos são "amigos do rei", mas uns mais amigos do que outros. E poucos são aqueles que possam dizer com ares fidalgos serem "amigos do peito do rei".  É desnecessário dizer quem são aqueles com acesso às melhores oportunidades e qual o critério a determinar-lhe. Voltando ao Brasil, vê-se que Dom Ináfio I cooPTou amplos segmentos da sociedade - v.g., os pobres do Bolsa Família, agricultores, industriais, megaempresários, acadêmicos, etc - por meio dos mais diversos recursos. Nominalmente, houve tentativas de acenar-se até mesmo aos empreendedores com programas de fomento ao empreendedorismo. Mas as medidas realmente necessárias para o surgimento desse tipo como a diminuição da carga tributária, de reforma econômica e institucional que suportassem um ambiente dinâmico e mais eficiente não foram feitas e nem se nos apresentam num horizonte curto de tempo. Face aos enormes desafios e grande soma de recursos a serem investidos para o Brasil alcançar a prosperidade, é impossível depender-se unicamente da vontade régia e dos "amigos do rei", prescindindo-se de um mercado dinâmico e vigoroso.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
09 0440 out 2010.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

212) Malogro

Minhas postagens acabam de ganhar cópia em meu OneNote - maravilha moderna contra aqueles problemas que te põe a perder o trabalho de escrever um texto, deixando-te frustrado ao vê-lo desaparecer em instantes. Tinha escrito um pequeno texto sobre estas eleições, em especial, sobre a cobertura jornalística paupérrima que marca os grandes meios de comunicação aqui no Rio Grande do Sul. Infelizmente, por um problema em meu computador e por imprudência minha não o pude salvar. Penso, no entanto, ter me precavido contra situações como essas ao adotar o OneNote. Ademais, tal medida deve também me ajudar a manter a constância das publicações neste blog, já que muitas vezes por não conseguir abrir a janela para novas postagens acabo deixando O Arqueiro Prudente demasiado ocioso. A partir de agora, preparei, normalmente, o material para publicação e, no caso de uma interrupção no serviço do Blogger, postarei o acumulado assim que me for possível o acesso ao painel de controle deste blog.

Assuntos a serem tratados em seguida: eleições 2010, patrulhas ideológicas, política brasileira, etc.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
06 1724 out 2010. 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

211) Retomada.

Sanado, aparentemente, o problema que me impedia de publicar minhas, ou alheias, matérias aqui. Retomo minhas publicações. Provavelmente, escreva algo antes destas eleições sobre estas e os problemas a que, em minha opinião, se teria de dar respostas. Deixo assim no vago, o tempo urge...

Vinícius Portella

Porto Alegre,
01 0329 set 2010.

domingo, 5 de setembro de 2010

206) Meus Sobrinhos.

 Há também que se ver o lado bom do mundo. Se para mim as coisas não vão lá muito bem, quanto ao que há de mais importante eu não tenho o que reclamar. Amo minha família. Veio-me isso à mente por ser hoje o aniversário de uma das minhas sobrinhas. Iria dedicar-lhe uma nota, mas como não o tivesse feito com as outras duas que já fizeram aniversário neste ano, não me senti confortável para isso. Eu sou apaixonado por meus sobrinhos e não os difiro. Vejo neles muito talento e creio que, adultos, ainda darão muitas alegrias a mim e a minha família. Desta forma, por esse motivo particular, escrevo a eles de maneira indeterminada.
 
De minha parte, venho me esforçando para também contribuir com seus respectivos futuros. Eles são, no momento, a maior aposta que tenho para o futuro e talvez sejam aquilo que monopoliza quase integralmente meu otimismo para este mundo. Eu não chego a ser um pessimista; pouco eu sei, mas duvido de muito, como diria Riobaldo. Diante de tanta barbaridade, são minha melhor cartada.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
05 0405 set 2010.

205) Do lado de cá, eu sem noite de São João preso a profunda divagação.

DO LADO DE CÁ, EU SEM NOITE DE SÃO JOÃO PRESO A PROFUNDA DIVAGAÇÃO. Feriadão; tudo parece ocorrer para além do muro do meu quintal. Talvez me esteja expondo de maneira indevida, mas ao menos é a tentativa de transformar em criativo esse meu senso de alheamento. O que mais me incomoda não é este insulamento; o que mais me incomoda é não conseguir dar uma forma ao que sinto e produzir alguma obra a partir disso. É esvair-me absorto e não me realizar. Eu queria gritar, mas sou mudo.

Por hoje é só.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
05 0340 set 2010.

terça-feira, 11 de maio de 2010

126) Nem todo japonês é igual... e antolho é coisa de cavalo!

Escuta-se de maneira difusa e engajada um certo discurso sobre a importância de se estudar a história da África, principalmente por ter sido o Brasil tão influenciado pela cultura africana. Eu concordo que a África deva ser estudada. O que discordo é quando tal estudo se vale de categorias maniqueístas e assim se passa à determinação do bom e do mau, do opressor e do oprimido, e toda uma série de relações complexas são demasiado simplificadas com fins políticos definidos a priori. Tem-se então não um ganho de compreensão, de descrição da realidade, mas a substituição de mitificações, por ventura existentes, por outras narrativas de natureza similar. Advogo uma formação humanista vasta que redunde num conhecimento sem privilégios à história de A ou de B, um conhecimento que aspire à consideração global dos acontecimentos. Assim, não é somente importante o estudo da história africana, como também da história relativa ao mundo islâmico, da Ásia, etc. Pois num mundo globalizado, interconectado, todas têm sua importância para a formação do quadro geral e suas repercussões devem procurar ser definidas da maneira mais objetiva possível e não por "simpatia" ou pelo politicamente correto. Pode-se gostar ou não dos EUA, mas a compreensão de muito do nosso mundo tomado de maneira mais global passa pela história desse país. Definitivamente, não nos devemos contentar com simplismos, com histórias da carochinha, nem limitarmos nossa visão como se usássemos antolhos à maneira dos cavalos. 

Abaixo, uma foto de pessoas ainus e uma pintura dos japoneses "puro sangue" representando-as. Provenientes do Japão setentrional, província de Hokaido, são de compleição bastante diferente dos japoneses tradicionais de nosso imaginário; nem todo mundo é igual naquele arquipélago... Nem na África. Convém uma vista no  Museu Ainu Poroto Kotan.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
11 1148 maio 2010.