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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

227) Dom Ináfio e seu séquito: aonde levarão o país?

Interrupcao eleitoral (14): nao temos mais presidente...

...e sim um chefe de facção, e irresponsável, além de tudo.
Por enquanto, limito-me a transcrever.
Paulo Roberto de Almeida 

O mestre deu a partida
Dora Kramer
O Estado de S.Paulo, 21/10/2010

Em entrevista ao jornal espanhol El País no início deste ano, o presidente Luiz Inácio da Silva manifestou convicção na vitória. "Dificilmente perco essa eleição", disse, a despeito de o adversário à época apresentar vantagem nas pesquisas.

Lula sabia do que estava falando: da disposição de usar e abusar de todos os métodos - quase infinitos - à disposição de um presidente da República para cavar o êxito que o levaria a bater recordes históricos de transferência de votos e a lograr espaço de honra no panteão dos presidentes eleitoralmente mais bem-sucedidos do Brasil.

Para isso decretou que sua prioridade absoluta no último ano de mandato seria eleger Dilma Rousseff. Paralisou o governo, mobilizou toda a administração na perseguição dessa meta, rasgou a Constituição, violou todas as regras da boa conduta, atacou violentamente a todos que enxergou como adversários.

Tão violentamente que governadores aliados ao governo e eleitos no primeiro turno criticaram direta e abertamente o presidente, atribuindo à sua conduta agressiva a perda dos votos suficientes para eleger Dilma no dia 3 de outubro passado.

Não é de estranhar, portanto, a atitude dos manifestantes petistas que ontem agrediram o candidato José Serra durante um ato de campanha na zona oeste do Rio de Janeiro.

Em 2002 o presidente recém-eleito Luiz Inácio da Silva agradeceu ao presidente que deixava o posto, Fernando Henrique Cardoso, a correção da atitude neutra à qual atribuiu, junto com a eficiência da Justiça Eleitoral, a sua eleição.

Oito anos depois, o presidente Lula faz o oposto do que considerava o melhor para o Brasil. Desqualifica a Justiça, afronta a legislação e usa de maneira escabrosa a máquina pública; sem freios nem disfarces.

Não há outra conclusão possível: Lula só leva em conta o que é melhor para si, já que passados esses anos certamente fez a conta de que a "correção" de FH fez o antecessor não eleger o sucessor.

Como não quer correr o risco, Lula apropria-se indevidamente do patrimônio público, comete todas as infrações à sua disposição, leva o governo para a ilegalidade e ainda se vangloria como quem dissesse que vergonha é roubar e não poder carregar.

O pior para ele é que com tudo isso ainda pode perder. O melhor para o País já foi feito quando o eleitorado criou esse espaço de confrontação final. Do qual o presidente da República abusa sem nenhum escrúpulo, aparentemente com a concordância do Ministério Público.

A tropa que entrou em choque com a campanha tucana no Rio fez o que o mestre ensinou: vale tudo e mais um pouco para tentar ganhar a eleição.

Mal contada. O inquérito da Polícia Federal sobre a quebra do sigilo fiscal de várias pessoas ligadas ao tucano José Serra ainda não esclareceu de todo o caso, mas já permite uma constatação: é falsa a versão de que aquelas violações resultaram de um esquema maior de compra e venda de sigilo dentro da Receita, conclusão que o governo acha menos grave que a motivação eleitoral.

Pois bem: pelo que diz Amaury Ribeiro (o jornalista que contratou a quebra de sigilo), a razão foi política. Segundo ele, em 2009 foi a São Paulo a custa do jornal Estado de Minas, onde trabalhava à época, para recolher dados para "proteger" o então governador de Minas, Aécio Neves.

Meses depois, alguém do PT roubou dele as informações e montou um dossiê para tentar prejudicar os tucanos.

Por enquanto a história não fecha direito e, pelo já visto, pode reservar emocionantes revelações.

Por exemplo: por que o jornal Estado de Minas mandou um repórter a São Paulo coletar dados com objetivo de "proteger" o então governador? E proteger do quê, de uma ofensiva de José Serra? Quem pagou pela quebra do sigilo: o jornal, o governo do Estado ou Amaury? Se Amaury foi roubado, o que fazia na reunião com o setor de "inteligência" da pré-campanha do PT onde se negociavam as informações que viriam a fazer parte do dossiê entregue em junho de 2010 ao jornal Folha de S. Paulo? 

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Pronto! A farsa do SBT e do PT está desfeita, agora pelo JN também! Lula mentiu! E o UOL, hein?
Reinaldo Azevedo, 21/10/2010 às 21:40

É de estarrecer, não? (video, ver neste link)

Provado e comprovado: o episódio da suposta bola de papel que atingiu Serra no Rio nada tem a ver com o outro, quando um objeto acertou a sua cabeça e o fez interromper a caminhada. São momentos distintos, conforme prova a confrontação da imagem do cinegrafista do SBT com a filmagem feita em celular por um repórter da Folha. O Jornal Nacional acaba de levar a confrontação ao ar.

É asqueroso que um presidente da República, como já escrevi aqui, não censure a violência da sua turma, como se a tropa de choque fascistóide que tentou intimidar os tucanos fosse uma coisa aceitável. É assombroso que um chefe de governo recorra a uma mentira clamorosa, passe a mão na cabeça de seus tontons-maCUTs e ainda condene a vítima.

O PSDB tem de pedir direito de resposta no SBT e na Record, que veicularam a mentira da bola de papel. Qual mentira? Pode ter havido uma bola de papel, o que só agrava a questão, mas não foi ela a causar mal-estar na vítima. Tem de pedir direito de resposta na campanha de Dilma Rousseff e, quero crer, tem de recorrer à Justiça, também à criminal, contra o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, que não é inimputável. Serra teve a sua honra agredida pelo sr. presidente da República.

E o UOL?
Até havia pouco, o UOL sustentava a dúvida sobre a bola de papel, como se as imagens que provam a farsa petista não fossem de um jornalista da Folha de S. Paulo — que pertence ao mesmo grupo.

Nunca antes na história destepaiz houve um presidente como este, que desprezasse tanto o decoro necessário para o exercício do cargo. Nunca antes na história destepaiz houve setores da imprensa como os que vemos hoje, sempre prontos a transformar as vítimas em culpadas.

Lula rebaixou tudo: o decoro, as instituições, a legalidade, a civilidade política e, com as exceções de sempre, o jornalismo.

PS - Ah,sim: este blog já havia antecipado a farsa petista, certo?
Reinaldo Azevedo

219) A militância do PT é compatível com os preceitos democráticos?

Como diria Weber, mas em outras palavras: é próprio do devoto fanático o sacrifício da razão. A ação de muitos militantes petistas tem sido exemplificação de tal assertiva. Falo em dois casos específicos: o primeiro, do grupo que foi pressionar o dono de uma das gráficas responsáveis pela impressão do folheto clerical anti-Dilma; o segundo, do incidente em que foi arremessado um objeto na cabeça de José Serra. Estes são bons exemplos de quando a devoção a uma causa faz com que pessoas cometam os atos mais sórdidos a despeito de qualquer questionamento moral ou racional. Não penso haver dúvidas em relação ao fato de terem extrapolado o marco legal sobre o qual está assentada nossa democracia ao intimidarem o gráfico à revelia de seus direitos individuais e ao hostilizarem um candidato legítimo à Presidência da República.

A desculpa de que houve manipulação de imagens não se aplica ao primeiro caso quando o próprio vídeo veiculado no sítio do partido mostra perfeitamente quão insidiosa foi a situação. Quanto ao segundo caso, há quem diga que foi armação do candidato do PSDB e queira minorar a situação. O ponto não é o que foi jogado nele, mas a hostilidade a ele. Assim, teria-se o problema mesmo se fosse um algodão que o atingisse. O fato ocorrido foi a ação de elementos petistas para que a passeata do candidato da oposição não seguisse seu devido curso. Certamente, um ataque a um instituto democrático.

Houve quem quisesse estabelecer alguma relação disto com a S.A. nazista. Em verdade, uma comparação muito fraca quando se conhece a história brasileira. Esse tipo de fato remete-nos ao tempo em que a política carioca era feita nas ruas pelos capoeiras. Os políticos mantinham capangas para pressionar ou eliminar seus desafetos. Formavam-se gangues que muitas vezes se enfrentavam dando grande instabilidade ao panorama político de então. Percebe-se aí o expediente de meios extra-legais respondendo a interesses particulares. Este é um traço não de um ambiente totalitário, senão de uma sociedade patrimonialista como ainda é a nossa. Denota a fraqueza de nossas instituições que ainda não conseguem impor seu jugo a todos no território brasileiro.

Por fim, devem ser penalizados aqueles que se valeram de meios violentos ou de coação para atingirem seus fins políticos. A impunidade poderá servir como estímulo à formação de grupos que recorram à violência para fazer justiça com as próprias mãos. Neste caso, estarão soltos os monstros da barbárie.

Vinícius Portella

Porto Alegre,
22 0316 out 2010. 

sexta-feira, 9 de julho de 2010

168) Maria Izabel Saraiva Noll fala sobre a campanha eleitora.

Por: Agência de Notícias
Data: 05/07/2010 Hora: 08:54

A campanha eleitoral começa oficialmente amanhã. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, a cientista política Maria Izabel Noll examina o cenário para a disputa pelo governo gaúcho. Para a especialista, Yeda Crusius (PSDB), José Fogaça (PMDB) e Tarso Genro (PT) não terão ganhos se apostarem em uma campanha retrospectiva. “Todos já foram governo, estão na mesma situação”, avalia. Segundo ela, devem tentar apresentar novidades para a condução do Executivo estadual.

A professora da Ufrgs diz ainda que existe a tendência de polarização entre PT e PMDB. Apesar disso, sustenta que a candidatura de Yeda não pode ser desconsiderada, principalmente depois de confirmar a coligação com o PP. “Yeda não é carta fora do baralho. O PP é muito forte no Interior.”

Por tudo isso, Maria Izabel acredita que a eleição será disputada. Para Fogaça o desafio é consolidar sua presença entre os eleitores de centro, ampliando sua participação junto à esquerda. Tarso, ao contrário, precisa garantir os votos da esquerda e tentar recuperar uma fatia de eleitores ao centro do espectro político. “O PT rompeu com a classe média, com o setor do funcionalismo público, que era sua base de apoio, e isso teve um custo muito alto. O que aconteceu é que perdeu esse centro e quem o ocupou foi o PMDB.”

Sobre o cenário nacional, entende que Dilma Rousseff (PT) leva vantagem devido ao fato de o eleitor tender a adotar um voto conservador. Para a especialista, José Serra (PSDB) ainda não elaborou sua estratégia de campanha, e o discurso ainda está sem foco.

Jornal do Comércio – Qual é sua avaliação do cenário para a disputa ao Palácio Piratini?

Maria Izabel Noll – Tarso, Yeda e Fogaça são as três candidaturas mais importantes e de alguma maneira já estavam previstas. O quadro aqui no Rio Grande do Sul conta com uma questão importante que é a partidária. Isso é uma característica da política gaúcha, mas a ausência de estrutura partidária é uma dificuldade para o candidato. Nesse sentido, a aliança com o PP foi fundamental para a candidatura à reeleição de Yeda. Após quatro anos de governo, o PSDB é um partido que não decolou no Estado, é uma estrutura pequena. Mas hoje Yeda não é carta fora do baralho. O PP é muito forte no Interior.

A minha interpretação é que tanto 2004 na prefeitura da Capital quanto 2006 no governo do Estado foram eleições de baixar a poeira. Mas, em 2008 para a prefeitura, não tinha mais isso. Não tinha mais Fogaça paz e amor. Em 2010 também não vai ter paz e amor.

JC – Haverá polarização?

Maria Izabel – De alguma forma, vai se dar entre Fogaça e Tarso, pois se Yeda vier com o mesmo discurso da eleição passada, não emplaca. Seu trunfo é o equilíbrio das contas do Estado, e agora deve dizer que está pronta para investir. Não vai fazer nada retrospectivo, mas vai investir num voto prospectivo: “Arrumamos a casa, vamos fazer”. Tarso está centrado demais no voto retrospectivo, que não sei se é uma boa. O voto retrospectivo para a prefeitura até é útil, mas foi mal aproveitado na eleição passada. E, para o governo do Estado é difícil, pois o governo Olívio Dutra (PT) não foi unanimidade. E investir num voto retrospectivo para recuperar um setor é complicado. Olívio deixou o governo há quase dez anos. A memória política não existe. É preciso apontar para frente. Quem souber resolver essa equação tem chance de ir para o segundo turno.

JC – Teremos uma campanha prospectiva.

Maria Izabel – Se eu fosse candidato, apostaria. Temos três nomes (ao Piratini) que, a essas alturas, não vão ter muito ganho em fazer campanha retrospectiva. Todos já foram governo, estão na mesma situação. Yeda corre na frente, porque está lançando um programa atrás do outro. Mas tem as limitações dos partidos, tanto o dela, o PSDB, quanto o PP, que é forte no Interior, mas não se coloca nas grandes cidades. É isso que faz o jogo ser equilibrado. Ao mesmo tempo, o PMDB tem uma grande estrutura partidária no Estado e realmente distribuída. O PT tem grandes prefeituras, mas enfrenta restrições. O jogo de xadrez está montado.

JC – Como as forças políticas estão distribuídas e de que forma se movimentarão?

Maria Izabel – No Rio Grande do Sul, tem um espectro bastante largo. (Antonio) Britto empurrou o PMDB do centro para a direita. Fogaça retomou o centro, empurrou para a esquerda e ocupou muito do espaço que era do PT. Estamos numa disputa muito grande nesta eleição. O PT chegou ao centro quando conseguiu a classe média, no governo de Olívio e Raul Pont (na prefeitura de Porto Alegre). O que aconteceu é que perdeu esse centro e quem o ocupou foi o PMDB. Em ano eleitoral, o partido que vai estar num bom lugar de fato é o PMDB. Mas cometeu um erro quando abriu a porteira para que esse eleitorado de centro e identificado com o PMDB votasse em Yeda. Agora, terá que empurrar Yeda para a direita. Ela, não tendo o DEM, que é bem à direita, fica melhor posicionada e ainda morde o centro. A lógica do PT é a de que Tarso tem que caminhar em direção ao centro. O PMDB vai ter que afastá-lo para a esquerda e Yeda para a direita. Dependendo de como vai se dar o empurra-empurra dessas fronteiras, teremos o vencedor.

JC – Considerando a disputa nacional, o PSDB normalmente faz mais votos que o PT.

Maria Izabel - É um fenômeno interessante porque o Rio Grande do Sul tem sido o estado preferencial de José Serra. Agora, é uma escolha que não tem uma identificação partidária. Não vamos dizer que o PSDB é um partido que não cresceu, mas não houve, por exemplo, o que aconteceu no período em que o Pedro Simon foi governador. O PMDB se expandiu por todo o Interior. Ou depois, no governo Olívio. O PT cresceu no Interior também. Yeda não expandiu o seu partido, então, sua candidatura dependia dessa aliança com o PP.

JC - Persiste o antipetismo?

Maria Izabel - É uma coisa muito específica no Rio Grande do Sul, que beneficia Serra, assim como foi na candidatura (Geraldo) Alckmin (PSDB), na eleição presidencial passada. Os dados que analisei referentes à eleição de 2008 em Porto Alegre mostram que o PT rompeu com a classe média, com o setor do funcionalismo público, que era sua base de apoio, e isso teve um custo muito alto. Perdeu em setores médios importantes para o PMDB e P-Sol. Esse rompimento também aconteceu com os movimentos populares, principalmente em torno do Orçamento Participativo. Então, recompor é uma tarefa complicada neste pleito.

JC – Em 2004 já se rompeu a série de reeleições do PT na prefeitura da Capital.

Maria Izabel - O PT vem perdendo eleitorado. Ele expande por uns lados, pode fazer uma boa votação na Região Metropolitana, mas em Porto Alegre talvez já não seja a mesma coisa que foi há quatro anos, quando o Olívio fez uma votação superior a Yeda. Fogaça fará uma boa votação em Porto Alegre. E fez em 2008 uma excelente votação. Mas essas três candidaturas têm interrogações: primeiro, como fica a votação polarizada? Quer dizer, a tendência à polarização, que tem sido, há muitos anos, PT e PMDB. Sempre se interpretou a vitória de Yeda em 2006 como um desvio, que teria sido provocado pelo PMDB com aquele famoso cálculo errado que desviou os votos do (Germano) Rigotto (PMDB) e elegeu Yeda. Só que essa figura Yeda, criada pelo PMDB, se autonomizou. A essas alturas, o PMDB não é mais o elemento forte da coligação e, consequentemente, vão ter que enfrentar a criação que fizeram quatro anos atrás. Vão enfrentar a criatura, que tem algo contra ela, que é a tradição da não reeleição.

JC – Quais são as projeções para um segundo turno?

Maria Izabel - Ao que tudo indica, o PT passa o primeiro turno, as pesquisas de opinião indicam isso. O complicador é o fato de ter um eleitorado que está em torno dos 20%, podendo chegar aos 35%. Mas, observando os dados, vemos uma limitação. Em 1998, quando Olívio foi eleito, os 7% que fizerem a diferença vieram do PDT, que tinha Emília Fernandes como candidata. Depois dessa eleição, nunca mais conseguiram se eleger para o governo estadual. E a campanha aparentemente não deslanchou, vai ter um elemento que de alguma maneira ajuda o PMDB, que é o fato de ter o vice-presidente da Dilma, Michel Temer. Por um lado, Tarso se beneficia, pois Dilma está indo bem e a tendência é ela se fortalecer. Ninguém está querendo mudar muita coisa. Mesmo que Serra venha e diga: “Vou fazer mais”. Cada dia que passa, penso que o eleitor vota com o bolso. Serra enfrenta mais dificuldades. Além da definição do vice ter sido demorada, veio de um partido complicado (DEM) e é uma figura absolutamente desconhecida.

JC – Que postura deve adotar a candidatura de Serra?

Maria Izabel - A impressão que dá, no caso do Serra, é que precocemente houve uma avaliação de que não há como competir. A campanha de Serra está sem norte. Por quinze dias a campanha é radical, nos outros é conciliatória, reconhecendo o que o governo Lula fez. Depois, retorna a estratégia de desqualificar o opositor. Não há um discurso linear. É uma campanha sem marqueteiro, em última análise.

JC – Isso dificulta o debate?

Maria Izabel – A estratégia caótica da oposição deve dificultar o debate político. De alguma forma isso é decorrente do desempenho da oposição nesse segundo governo Lula. A oposição nunca chegou à conclusão sobre o seu papel. Ela poderia ter feito uma oposição crítica ou a famosa oposição construtiva. Mas ficou refém de um discurso vazio. Ao mesmo tempo denunciava, como a história de que a Dilma teria encomendado aquele dossiê. É um negócio desestruturado. De repente a oposição jogou para a imprensa o papel que deveria exercer. Ou o partido faz seriamente uma denúncia e tem credibilidade para isso, ou o denuncismo cai na banalidade.

JC – E como o cenário nacional repercute no Estado?

Maria Izabel - Se Dilma ganhar no primeiro turno, pode favorecer o PT. Por outro lado, ela já vai estar montando o ministério. À medida que vai fazendo isso, e visivelmente o nosso presidencialismo de coalizão vai exigir os acertos, provavelmente ela não possa subir em palanque. Já há uma tendência de que isso não aconteça nem no primeiro turno. Tanto o PMDB quanto o PT gaúchos estão na expectativa, dependendo muito de como o terceiro elemento, que é Yeda, vai se posicionar. Nem o PMDB vai poder bater muito, pois pode precisar se apoiar em Yeda num segundo momento, nem Yeda poderá ser radical demais.

JC – Neste ano as articulações ao Senado foram intensas.

Maria Izabel – Está acontecendo algo meio novo: coligação para o Senado. Antigamente os partidos tinham dois candidatos, faziam a campanha como manda o figurino. Agora virou moeda de troca. Já vi não só as pessoas falarem nisso, mas não duvido que em alguns lugares as próprias campanhas sejam feitas assim, chapa, venda casada: (Paulo) Paim (PT) e Ana Amélia (Lemos, PP), Rigotto e Ana Amélia. As candidaturas para o Senado entram no grande jogo das coligações. Não está mais sendo uma campanha específica.

JC – Fogaça vai só com Rigotto. Yeda vai só com a Ana Amélia. 
Tarso vai com Paim e a Abgail Pereira (PCdoB).

Maria Izabel – Ficou um cenário interessante. Isso leva a uma dimensão impressionante de acirramento, polarização para dentro do jogo político. Porque o Senado se alinhou com as coligações das candidaturas a governador.
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Perfil

Maria Izabel Saraiva Noll é natural de Porto Alegre. Graduada em História pela Ufrgs, fez mestrado em Ciência Política na mesma universidade e doutorado na França, na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris. Foi ainda visiting scolar no Center for Latin American Studies na Universidade de Stanford. Já fez trabalhos sobre a política no Rio Grande do Sul, o modelo do Estado Novo e dedicou a maior parte de sua produção acadêmica ao estudo dos partidos políticos, democracia, Legislativo e eleições. Atualmente, tem pesquisado políticas públicas municipais. É coordenadora do Núcleo de Pesquisa e Documentação Política Rio-grandense (Nupergs). Leciona na Ufrgs desde 1976. Já foi chefe do departamento de Ciência Política e coordenadora de pós-graduação em Ciência Política da Ufrgs.